
Os orientais sabem desde há muito, que a velhice é uma fonte inesgotável de experiência. Nós, ocidentais, superficiais e imaturos, não prestigiamos a longevidade. Exaltamos a juventude, como se ela fosse permanente. O resultado é a fobia pelo envelhecimento.
É bom ficar velho. A alternativa é muito ruim: é morrer jovem. Para que a velhice não seja um peso, mas uma etapa agradável e produtiva, é preciso ter em mente alguma reflexão.
Todos nós podemos fazer algo para envelhecer melhor. O cardiologista Eric Topol escreveu o livro “Superidosos: uma abordagem baseada em evidências para a longevidade” e nele observa que ferramentas como testes de idade biológica e previsões de risco de saúde cada vez mais sofisticadas podem fornecer visão mais clara de como estamos envelhecendo.
Com isso, pode-se fazer mais do que antes para retardar o processo de declínio. Inclua em sua rotina: treinar constantemente. Quem se exercita reduz o risco de câncer, depressão, diabete e mortalidade geral. Os treinos de força parecem prolongar a vida e diminuir o risco de mortalidade em 25%. Estabelecer um horário de sono também reduz o risco de câncer, AVC e outras comorbidades. Fortalecer a saúde mental mediante mais tempo ao ar livre, vida social ativa, ter amizades fortes, exercer hobbies. Ler e se exercitar mentalmente.
Manter-se em atividade. Vestir pijama e ficar à frente da televisão é a isca a atrair tudo o que deve ser evitado pelos idosos. Também adotar regrinhas práticas para não se sentir descartado: mostrar-se útil. Antenado com o que acontece no mundo, em sua cidade, em sua rua, em sua casa.
Envelhece, de verdade, quem deixa de se interessar por sua família, seus contatos, pelo que ocorre no mundo, mas também no município em que mora. Esse, independentemente da idade, pode ser chamado de velho.
Lugar de idoso é na escola
A lei é uma convenção que não consegue se antecipar à realidade. A capacidade de previsão do legislador se condiciona a inúmeras variáveis e nem sempre consegue antever qual o cenário sobre o qual a normativa incidirá.
Convencionou-se chamar de “idoso” aquele que completa sessenta anos. Algo que não coincide com a condição física e mental da maioria desse contingente, que é o que mais cresce na atualidade. O Brasil já foi o país dos jovens. A queda na fecundação, os temores de trazer à existência seres que vão encontrar um planeta hostil e devastado, tudo inibe que a taxa de crescimento continue na ascensão de há algumas décadas.
Por isso, a “terceira” ou discutível “melhor” idade precisa merecer uma atenção muito especial. A longevidade garantiu que viverão até os cem anos aqueles que se cuidarem. E o que fazer dos 60 aos 100?
A resposta mais plausível e satisfatória: estudar.
Não se diga que isso é difícil, ou dispendioso. A USP, a melhor Universidade do Brasil, oferece quase sete mil vagas em cursos gratuitos para o público acima dos sessenta. Disciplinas regulares em áreas como comunicação, direito, administração, tecnologia e educação, estão disponíveis para os interessados.
A partir de 2 de fevereiro, estarão abertas as inscrições para o primeiro semestre de 2026 do Programa “USP 60+”, em sua 61ª edição e mais de 31 anos de atuação. Há um site do programa, que pode ser acionado a partir de 29 de janeiro de 2026. Os interessados não precisam ter vínculo com a Universidade e devem ter mais de 60 anos.
Olha que excelente oportunidade para alguém aprender uma coisa nova, aperfeiçoar-se num conhecimento que já detém, uma questão de qualidade de vida física e mental. Pois estudar é um dos eixos fundamentais no envelhecimento ativo e saudável.
Em vez de ficar em casa de pijama, ou apenas atento às telinhas, o idoso terá oportunidade de conviver com outras gerações e isso renovará o seu alento, o seu ânimo, a sua vontade de viver. E o cardápio de ofertas é variado. Inclui Empreendedorismo, Marketing, Linguagem Musical, Gestão de Negócios, Inteligência Artificial, Psicologia Social e muitas outras oportunidades de retomar o estudo e a alegria de viver.
(Colaboração de José Renato Nalini, reitor da Uniregistral, docente da Pós-graduação da Uninove e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo).
Publicado na edição 10.981 Sábado a terça-feira, 24 a 27 de janeiro de 2026 – Ano 101





