Espaço do Leitor

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Saudades da minha Terra.

Rose Succi Nakamura

Minha fé de vencer trabalhando nesta cidade é tão grande, por isso custo acreditar que estou aqui, e quando me lembro da minha terra natal é difícil suportar a dor no peito.
Saudades do pôr do sol, meus olhos se fecham e ainda sinto a relva fresca da noite e uma sensação aconchegante da brisa que toca o meu rosto, sinto o cheiro das flores do meu cafezal, aquele cansaço misturado com satisfação de colher os frutos.
Aquele cheiro do feijão no fogão caipirinha de lenha que minha mãe cozinhava com amor e dedicação o feijão da nossa terra. Gosto tanto que enche minha boca de água.
Após o jantar nas noites de sábado, os violeiros vinham cantar junto com meu pai, todos se uniam na varanda para ouvir, vinham também nossos amigos, aquela sanfona que ele tocava fazia todos se alegrarem, sentia a emoção em cada verso, em cada canção. Os mais afinados acompanham cantando noite adentro, a música preenche a alma, traz harmonia que nos fascina, era o melhor espetáculo que eu via. Custo a acreditar, mas entre-nós o clarão do lampião aos poucos se acabava e dava espaço para a lua cheia que nos acompanhava.
Até meu cachorro vira-lata acompanhava as músicas, saudade dele, sim me faz derramar lágrimas, o Mimo era um cão tão carinhoso e companheiro, parece que ouço seu latido; balançando o rabo e mostrando que ele também ficava satisfeito com a movimentação, ele deitava no chão e eu fazia carinho em seu pêlo, parecia um neném.
Nos dias de calor eu nadava no rio, aquela água tão cristalina, parecia fazer massagem em meu corpo cansado e eu me sentia livre naquelas águas, logo tinha um companheiro que não deixava de ir comigo, o meu cachorrinho “Mimo”
Este ano vou ver meus pais, nesse ano tão difícil de suportar a saudade, vou sentir os abraços de minha mãe e sorriso de meu pai, pois no mundo não tem nada melhor que estar na minha terra, onde meu pai me ensinou a amar.