Feminicídio: quando só a cadeia não resolve

Sandra Campos

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Sandra Campos, palestrante e ativista pela vida. Foto: Divulgação.

O aumento do feminicídio no Brasil é assustador e destrói o futuro de milhares de famílias. Em 2025 foram 1.470 assassinatos, uma média de quatro mulheres mortas por dia por razões de gênero. Aumento de 316% em uma década.

Mesmo com a legislação vigente (Lei Maria da Penha, Lei do Feminicídio e Medidas Protetivas), a violência doméstica mantém trajetória de alta: 64% dos casos ocorrem dentro da própria residência da vítima. Infelizmente, São Paulo lidera esse ranking.

A frase “Quem ama, não mata!” deveria ser a pura verdade. Mas não é o que temos assistido todos os dias. O feminicídio é o ato extremo que finaliza um longo calvário de sofrimento vivido por mulheres e seus filhos, não importa a classe social.

O que está por trás de todos esses crimes, além da crueldade? Um dos principais fatores é a certeza da impunidade. Homens com a masculinidade excessiva, intolerantes à frustração e à rejeição. São homens que se acham donos, como na época da escravidão, acreditando poder dispor da vida das mulheres como se fossem escravas. Homens adoecidos mentalmente que, lamentavelmente, muitas vezes, foram criados nesse tipo de ambiente, longe do carinho, afeto e diálogo.

Entre as ações que temos desenvolvido no combate à violência, a defesa da vida e da família, uma jovem contou um fato que me deixou indignada: era espancada pelo esposo que ainda tirava fotos dela ferida, as transformava em figurinhas e enviava para ela pelo Whatsapp. Ela me disse: “Sandra, me sinto impotente, vazia, sem forças. Sinto-me um lixo”.

A sensação de impunidade e a postura lacônica dos criminosos chegam a ser vexatória. É necessário colocar o dedo na ferida, enfrentar o problema com seriedade e audácia. É inadmissível um agressor tirar a vida de alguém e, depois de alguns anos, estar livre para cometer novos crimes.

O primeiro passo: Prisão Perpétua!

Mas, só isso não basta. São necessárias políticas públicas, campanhas de prevenção, de combate ao crime e apoio às vulneráveis. Que os homens sejam protagonistas dessa mudança: que deem exemplo, que conversem com outros homens, que mostrem a importância da proteção e do cuidado com a família; homens íntegros, com valores, que ensinem seus filhos sobre respeito e valores.

A sociedade precisa ter voz para que as mulheres e seus filhos não continuem reféns de verdadeiros marginais. Unir nossas comunidades e não ter medo de denunciar!

Digo isso tudo porque vivi na própria pele. Fui casada por 25 anos com um homem alcoólatra que me humilhava muito. Fui vítima de violência. Quantas noites eu dormi chorando, achando que nunca encontraria uma saída para  meu calvário. Achava que não tinha forças. Um dia tomei coragem e pedi o divórcio. Fiquei com os filhos e com as contas. Ganhei paz. Hoje sou feliz!

(Colaboração de Sandra Campos, palestrante e ativista pela vida. Sandra perdeu, há dois anos, seu filho de 24 anos para o suicídio e tornou-se uma ativista pela vida com o projeto Não te julgo, te ajudo!”. Um debate com a sociedade sobre os mais variados temas ligados ao sofrimento e o comportamento humanoInstagram: @sandracamposaaa).

Publicado na edição 10.984, quarta, quinta e sexta-feira, 4, 5 e 6 de fevereiro de 2026 – Ano 101