
O enfrentamento à violência contra a mulher deixou de ser apenas uma pauta social para se tornar prioridade institucional nas políticas públicas de segurança. Nos municípios brasileiros, as forças de segurança têm assumido papel cada vez mais estratégico na prevenção, acolhimento e repressão aos crimes de gênero, atuando de forma integrada com outros órgãos e fortalecendo a rede de proteção.
A atuação da Guarda Civil Municipal em diversas cidades ampliou a presença ostensiva e comunitária do poder público nos bairros, aproximando o agente de segurança da realidade local. Essa proximidade permite identificar situações de risco com mais rapidez, agir preventivamente e oferecer orientação às vítimas. Além disso, muitas guardas municipais passaram a contar com patrulhas especializadas, como a Patrulha Maria da Penha, como é o caso de Bebedouro, que realizam visitas periódicas a mulheres com medidas protetivas, garantindo o cumprimento das decisões judiciais.
A Lei Maria da Penha representou um divisor de águas no combate à violência doméstica, ao estabelecer mecanismos de proteção, punição e prevenção. No âmbito municipal, sua efetividade depende da atuação integrada entre guarda municipal, polícia militar, polícia civil, Ministério Público e Judiciário. Quando há comunicação eficiente e troca de informações, o agressor é monitorado com mais rigor, e a vítima se sente mais segura para denunciar.
Outro ponto relevante é a capacitação contínua dos agentes. O atendimento à mulher em situação de violência exige preparo técnico e sensibilidade. Cursos sobre abordagem humanizada, identificação de ciclos de violência e preservação de provas são fundamentais para evitar a revitimização e assegurar que o primeiro atendimento seja acolhedor e eficaz. A formação adequada também contribui para que os profissionais compreendam a complexidade dos crimes de gênero, que muitas vezes envolvem dependência emocional, econômica e ameaças veladas.
Em Bebedouro, a GCM também tem investido em tecnologia. Aplicativos de denúncia, botões do pânico integrados aos centros de monitoramento e câmeras espalhadas pela cidade auxiliam na resposta rápida às ocorrências. Em situações de descumprimento de medida protetiva, por exemplo, a agilidade no deslocamento da equipe pode ser decisiva para preservar a integridade física da vítima.
Entretanto, o combate à violência contra a mulher não se limita à repressão. A prevenção passa por campanhas educativas, palestras em escolas, ações comunitárias e parcerias com secretarias de assistência social e saúde. A segurança pública moderna compreende que enfrentar esse tipo de crime exige mudança cultural, incentivo à denúncia e fortalecimento da rede de apoio.
Assumindo esse protagonismo, o recado é claro: a violência contra a mulher não será tolerada. O resultado vai além da redução de índices criminais; trata-se da construção de um ambiente mais justo, onde mulheres possam viver com dignidade, respeito e liberdade.
Reforçar o combate a esses crimes é, portanto, um compromisso institucional e humano. Municípios que investem em suas guardas e na integração das forças de segurança demonstram que proteger mulheres é proteger famílias, comunidades e o futuro da própria cidade.
(Colaboração de Rogério Valverde, advogado bebedourense, secretário da Segurança Pública de Bebedouro).
Publicado na edição 10.992 Sábado a terça-feira, 7 a 10 de março de 2026 – Ano 101



