

O último capítulo da franquia Invocação do Mal chegou aos cinemas cercado de expectativa. Não apenas por encerrar uma das sagas de terror mais populares da atualidade, mas também pelo barulho que fez nas redes sociais. A estreia foi histórica: tornou-se o filme de terror com a maior bilheteria de abertura em um fim de semana no país. Fãs lotaram as salas, ávidos pelo desfecho da história. Mas, ao contrário do que se esperava, o saldo não foi unânime: muitos apontam o quarto longa como o mais fraco da série.
Estética impecável
Tecnicamente, não há o que criticar. O diretor manteve o padrão estético dos filmes anteriores: a fotografia é precisa, os figurinos bem elaborados e a edição entrega montagem final cuidadosa. A sonoplastia é aplicada de forma estratégica, e os movimentos de câmera mantêm o espectador em tensão. Os sustos estão no lugar certo, bem orquestrados e eficazes, no melhor estilo da franquia.
A falha no clímax
O ponto que compromete a obra está no final. Se nos capítulos anteriores os desfechos foram eletrizantes, como a icônica cena da aparição da freira no segundo filme, que permanece como um dos momentos mais impactantes do universo, aqui o clímax se perde. A vitória sobre o demônio carece de impacto e poderia estar em qualquer outra parte do longa. A cena derradeira não provoca o choque esperado, quebrando a expectativa de quem aguardava um fechamento memorável.
História bem construída, mas…
É importante destacar que o roteiro, até então, se sustenta. A narrativa do demônio que aguardou por anos para reclamar a filha dos protagonistas é sólida e bem amarrada. Toda a trajetória faz sentido, mas a falta de grandiosidade no desfecho deixa a sensação de que a franquia não conseguiu se despedir com o mesmo fôlego com que se manteve por três filmes.
O protagonismo de Annabelle
Outro detalhe curioso é a presença constante da boneca Annabelle, que surge em pelo menos cinco momentos, sendo protagonista em dois deles. Embora pertença ao mesmo universo, a sensação é de que a personagem quase tomou para si o protagonismo, desviando parte da atenção da nova assombração.
Um fim que emociona, mas não assusta
Ainda assim, o filme encerra a franquia com emoção, em cenas que justificam seu lugar por se tratar do último capítulo. O segundo longa segue como o ponto alto da série, enquanto o quarto ocupa o último lugar no ranking, não por ser ruim, mas por não conseguir superar os anteriores.
Vale a pena assistir, especialmente para os fãs do gênero e da saga. A decepção maior não está na qualidade geral do filme, mas no fato de não haver, ao menos por enquanto, perspectiva de um quinto Invocação do Mal. O universo, porém, continua vivo, com especulações de novas sequências de Annabelle e A Freira.
Publicado na edição 10.951 de sábado a terça-feira, 13 a 16 de setembro de 2025 – Ano 101




