Jeniffer Nascimento sustenta protagonismo com força e carisma em “Êta Mundo Melhor!”

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Protagonista de verdade - Em Êta Mundo Melhor!,Jeniffer Nascimento prova que tem grandeza cênica, carisma e força dramática para sustentar o centro do folhetim, equilibrando humor, intensidade e verdade em cada sequência.Foto (Reprodução/TV Globo).

Assumir o centro de narrativa popular exige mais do que presença: exige grandeza. Em Êta Mundo Melhor!, novela das seis que se aproxima de sua reta final, Jeniffer Nascimento comprova que está plenamente preparada para esse lugar. Dez anos após surgir como coadjuvante em Êta Mundo Bom, a atriz retorna agora como protagonista e demonstra, com segurança cênica, que é capaz de conduzir o eixo dramático da trama.

O texto assinado por Walcyr Carrasco e Mauro Wilson constrói Dita como uma personagem central de fato, não apenas no título, mas na engrenagem narrativa. Trata-se de protagonista que move acontecimentos, conecta núcleos e sustenta conflitos. E Jeniffer responde a essa exigência com atuação firme, expressiva e sem hesitação.

Há maestria no modo como a atriz equilibra drama e humor, duas marcas essenciais do universo de Carrasco. Sua Dita é intensa quando precisa ser, leve quando a história pede respiro e sempre verdadeira. Jeniffer impõe voz própria à personagem, ocupa a cena com autoridade emocional e conduz o olhar do público com naturalidade rara.

Outro aspecto decisivo está na circulação da protagonista pelos diferentes núcleos. Quando uma frente narrativa ganha corpo, Dita está presente, não como figura decorativa, mas como elemento de coesão dramática. Esse movimento mantém a trama orgânica e reforça a percepção de que há uma intérprete segura sustentando o todo.

Em uma novela, a protagonista não é apenas quem concentra mais cenas, mas quem organiza emocionalmente o universo ao redor. É por meio dela que o público entra, permanece e sente a história. Jeniffer compreende essa responsabilidade dramatúrgica e a assume com maturidade rara, sustentada por um texto que valoriza a centralidade afetiva de Dita sem perder a leveza característica do horário.

Também é mérito do bom encontro entre atriz e dramaturgia o fato de Êta Mundo Melhor! cumprir com precisão aquilo que se espera de uma novela das seis: entretenimento caloroso, ritmo envolvente e humor bem dosado. Há sequências ágeis, cenas genuinamente engraçadas e alívio cômico que o horário há tempos pedia, sem que isso diminua a força dramática do enredo. Jeniffer navega por esse tom híbrido com naturalidade, fazendo da leveza uma extensão da verdade da personagem.

Com carisma evidente e domínio de tom, Jeniffer Nascimento transforma Dita em protagonista legítima do folhetim. Mais do que herdar um universo já conhecido pelo público, ela o amplia. E ao fazer isso, confirma seu nome entre as atrizes capazes de carregar uma novela inteira sobre os próprios ombros.

Publicado na edição 10.987 Sábado a sexta-feira, 14 a 20 de fevereiro de 2026 – Ano 101