Longevidade: o que ninguém fala sobre os medicamentos

Luiz Assunção

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Dr. Luiz Antônio da Assunção, farmacêutico clínico, CRF 23.110 SP, Pós-graduado em acompanhamento farmacoterapêutico; e em gastroenterologia funcional e nutrigenômica. Foto: Divulgação

Todo mundo quer viver mais. A longevidade virou meta de vida, promessa de revistas, cursos e clínicas. Mas há uma questão que quase nunca aparece nessas conversas: como anda a sua relação com os medicamentos que você toma todos os dias?

Fala-se de alimentação saudável, de sono reparador, de atividade física, de espiritualidade, de conexões sociais — mas quase nunca se fala sobre os impactos dos medicamentos de uso contínuo na qualidade de vida. E esse é um silêncio que custa caro à nossa saúde.

O lado invisível da longevidade

Vivemos mais, mas também tomamos mais medicamentos. Boa parte das pessoas idosas no Brasil usa de cinco a dez medicamentos por dia. E, na maioria das vezes, ninguém avalia de forma integrada o que acontece dentro desse organismo polimedicado.

Cada fármaco tem seu propósito, mas também traz seus efeitos secundários, suas interações, seus impactos metabólicos.

Muitos sintomas que acreditamos ser “do envelhecimento” — como perda de energia, confusão mental, tonturas, fraqueza muscular, alterações do sono ou humor —, na verdade, podem ser consequência do uso combinado e prolongado de medicamentos.

Envelhecer bem não é apenas manter a vitalidade do corpo e da mente, mas preservar a integridade bioquímica que sustenta essa vitalidade. E isso exige um olhar clínico sobre a farmacoterapia.

É aqui que o farmacêutico clínico se torna essencial. Ele é o profissional que conecta o conceito de longevidade à prática do uso racional de medicamentos.

Analisa prescrições, avalia interações, orienta o paciente e a família, e propõe estratégias seguras para que cada medicamento cumpra seu papel — sem comprometer a saúde como um todo.

O acompanhamento farmacoterapêutico é um instrumento poderoso de prevenção de declínio funcional, redução de riscos e recuperação da qualidade de vida.

É o elo que faltava entre a medicina que prescreve e o paciente que vive o dia a dia dos efeitos.

Longevidade com lucidez

Falar em qualidade de vida sem falar em medicamentos é um erro que precisamos corrigir.  Não basta viver mais; é preciso viver com lucidez, energia e autonomia. E isso começa por entender o que cada medicamento faz no seu corpo, e por ter um farmacêutico clínico ao seu lado para ajudar a equilibrar essa equação.

Afinal, longevidade não é apenas sobre o tempo que temos — é sobre o quanto de vida há dentro desse tempo.

(Colaboração de Luiz Antônio da Assunção, Farmacêutico-Bioquímico, especialista em Farmácia Clínica e em Gastroenterologia Funcional & Nutrigenômica, CRF-SP 23.110 SP/RQE 12595-47).

Publicado na edição 10.966 de sábado a terça-feira, 8 a 11 de novembro de 2025 – Ano 101