
De acordo com o Instituto Escolhas, organização sem fins lucrativos, mantida por fundações filantrópicas e cujo interesse é promover debate ambiental com dados sobre o agronegócio, o Brasil vem consumindo mais agrotóxicos e fertilizantes para aumentar a produção de soja. Somos o maior produtor mundial de soja. Mas a que custo ambiental?
O crescimento do uso desses produtos é maior que a ampliação da área plantada. Além de prejuízos para o ambiente, haverá gradual redução da rentabilidade no campo.
O Instituto comparou o Brasil com outros produtores: Estados Unidos, Argentina, China e Índia. Nós lideramos o uso de defensivos. Já em relação a fertilizantes, só estamos atrás da China. É importante observar que, apesar do vertiginoso crescimento da área plantada em trinta anos – de onze milhões de hectares para quarenta e quatro milhões de hectares – não houve acréscimo no total produzido. Houve queda no total de sacas obtidas com o uso desses insumos.
Em 1993, o Brasil produzia 23 sacas de soja para cada quilo de agrotóxico empregado. Em 2023, foram apenas 7. Em relação a fertilizantes, a quantidade de sacas caiu de 517 para 333 para cada tonelada de fósforo e potássio empregada.
Tudo isso também foi comprovado pela Conab – Companhia Nacional de Abastecimento, Ibama, IBGE e FAO – Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura. Enquanto em três décadas a produtividade da soja tenha crescido 2% ao ano, o aumento da área plantada foi de 5%.
A desculpa do setor é de que em países com neve e frio, é mais fácil controlar pragas. Só que o consumo de agrotóxicos em nosso país subiu de 76 mil toneladas para 755 mil em três décadas, algo como 893% a mais, quase dez vezes acima do aumento da área cultivada, que foi de 96%.
O correto e o ideal para o ambiente e para a saúde seria o uso de bioinsumos. Tudo o que é químico maltrata a terra. Já os bioinsumos mantêm o solo saudável. Estamos prestando atenção a isso? Estamos pesquisando a intensificação do uso do bioinsumo? O que é que a Embrapa nos diz quanto a isso?
Bom e barato
Os carros elétricos chineses estão cada vez mais baratos. A BYD, que é a maior fabricante de veículos elétricos da China, reduziu o custo de vinte e dois modelos elétricos e híbridos. O preço inicial de seu modelo mais barato o Seagull, caiu para 43 mil reais. E parece que o preço poderá cair ainda mais.
É um estímulo a que todas as pessoas só adquiram veículos movidos a energia limpa, no caso a elétrica. Parece que a tendência de baixa preocupa a China, que reprime a competição improdutiva e autodestrutiva entre empresas e governos locais. Criou-se excesso de capacidade com a consequente redução dos lucros.
Existem cento e quinze marcas chinesas de veículos elétricos, de acordo com a Jato Dynamics, uma empresa de pesquisa. Mas a BYD é a mais conhecida e a mais lucrativa. Ela tem escala de produção e integração vertical. Controla tudo, desde direitos de mineração de minerais necessários para construir suas próprias baterias, até navios de carga para transportar seus carros para mercados estrangeiros.
Mais da metade da produção da BYD será para exportação, principalmente para a América Latina. Que o Brasil se beneficie, podendo comprar carro mais barato e não poluente. E vêm aí os veículos elétricos de longo alcance: Erevs, na sigla em inglês. Têm pequenos motores da gasolina que servem apenas como geradores para estender o alcance de suas grandes baterias.
A opção pelo carro elétrico é uma urgência imposta pelo agravamento das emergências climáticas, resultantes do aquecimento global produzido pela excessiva emissão de gases venenosos do efeito-estufa. Se o que é bom vier a ser ainda mais barato, é disso que o consumidor brasileiro está a necessitar. Agora, mais do que nunca, diante da geopolítica de retrocesso que tomou conta de boa parte do mundo.
Agora, falta todos os governos – União, Estados e Municípios – incentivarem a aquisição e o uso de carros elétricos. Sem isso, ainda que o custo seja menor, a ignorância será uma resistência natural à transição energética de que a humanidade está a necessitar com pressa. Sem ela, as consequências serão nefastas. Não é pagar para ver.
(Colaboração de José Renato Nalini, reitor da Uniregistral, docente da Pós-graduação da Uninove e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo).
Publicado na edição 10.947, de sábado a terça-feira, 30 e 31 de agosto, 1º e 2 de setembro de 2025 – Ano 101





