Morte: um fim ou o recomeço? Pequeno ensaio sobre tal arguição…

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Julio Cesar Sampaio

Morrer não é acabar, é a suprema manhã.” Victor Hugo.

João 11:25
1º dia: Medo
Em meio aos devaneios em que minha alma conturbada pela dor, sentindo o peso das vestes carnais, deixando meu corpo estagnado sobre a pedra, procuro alcançar um caminho para além dali, mas não consigo. Necessito de uma viagem para fora, mas apenas o que recebo é uma viagem insólita para dentro de mim, mas, lá encontro a dor e o sofrimento, representados pelo pecado e a culpa. Mergulho em minha própria vida e só o que encontro é o semblante de uma lida indiferente pela fé, apenas vivida na carne. Isso me traz medo e insegurança.
– Onde, por Deus, encontram-se minhas duas irmãs?
Rabi!… Rabi!… Meu fiel amigo, onde Tu te encontras?

Busquei apenas aquilo que encontrei!
Deus dos Céus! Neste mergulho dentro de meu ser, encontro águas turbulentas em desencontro com o barco da minha vida, que segue… Sem leme.
Quanto no pretérito equivoquei por não realizar!… Mas, não sou ruim em essência – apenas vivi.
Torno-me agora inseguro.
Devo repousar-me.
2º dia: Ilusão
Desperto-me, buscando em minha memória – agora, mais serena – feitos heróicos e redundantes, onde, consigo olhar-me de fronte sem medo, mas, não consigo ajustar-me com minha consciência. Por quê?
– Rabi!… Rabi!… Onde estás?
Engano-me com conceitos apenas necessários e não iluminativos.
Agora, consigo compreender um pouco, que: “fazer por viver não eleva”, mas: “ser para deixar, alcança paz!”.
Por que, dentro de mim – mesmo sabendo a verdade – ainda o meu corpo continua inerte?!
– Minhas irmãs, onde estão?
Vida desregrada de transformação.
Vida apenas por viver! Triste ilusão.
Oh! Meu Deus! Busco-te agora de outra forma! Venha até mim!
Repouso-me novamente.
3º dia: Despertar
Minha face – agora mais viva e rosada – traspassa para meu coração mais segurança.
Meu corpo, ainda que mesmo inerte pelo peso da carne desfalecida, viaja a caminhos novos!
Encontro repouso para minha cabeça nas encostas do alvorecer cristalino do solo deslumbrante dessa nova casa. Sinto que viver não é apenas um ato de confirmação da terra, pelo ato da união de dois seres, mas, vejo que uma transformação ocorre!
Busco onde encontrar estes méritos, e encontro nas entranhas de meu corpo, mesmo maltratado pela força de decomposição das ‘leis naturais’. Todos os meus sentidos estão voltados para a luz que vem ao meu encontro. Conforto do despertar para a vida, mesmo, em meio a todas essas tribulações. Sinto que faço parte de uma força que atua independente de minhas fraquezas, uma força que atua em prol da vida, trabalhando incessantemente, elucidando a minha consciência que: tamanha força vem ao meu encontro, para alimentar em minha alma uma dádiva misericordiosa; uma mão segura que se estende; um colo para repousar-me; um amparo para o meu novo alvorecer.
Repouso-me, tranquilo.
4º dia: Redenção
– Senhor! Senhor! Observo a força Tua transformar minhas vestes, como uma explosão nas terras de meu coração; uma força que sopra as águas turbulentas desse meu despertar; uma revolução que enche minha alma de esperança no novo porvir!
Sinto Tua força, Senhor, transformar meu espírito em vida eterna, pela vida infinita. Tudo para honra e glória de Tua excelsa presença!
Pecados são perdoados; trevas são iluminadas; toda dor é remida; a esperança é reforçada sobre os alicerces piedosos de ti, oh meu Pai! Encontrei, Vós fazendo parte de mim, como uma ligação de Aliança Eterna. Não sofro, porque meus débitos agora – pelo esclarecimento pela força divina – não destroem meu pensar!
Antes, sofria por medo daquilo que antes vivi, mas, não em plenitude, mas erroneamente por estagnação pelo não servir.
Logo depois, busquei encontrar dentro de mim a vitória para tamanha dor, e só encontrei falsas virtudes, pois, “viver pelo agir” apenas causa reação desacertada, mas “viver por sentir” traz vida em abundância!
Modifico pelo pensar! Vivo pela mudança da retirada da vacuidade do silêncio que minha alma desperta! Volto velozmente ao meu pensar terreno, destruindo toda a nulidade de épocas pretéritas evasivas!
Busco-te agora Senhor, pelo simples fato de “querer por conseguir”; “viver para sentir”; “seguir para iluminar!”.
– Rabi!… Rabi!… Viestes ao meu encontro.
Glórias aos Céus! Glória aos Céus!
Neste instante, como um trovão para despertar o Oriente e o Ocidente, uma voz ecoa, revolucionando a vida – desmascarando a morte; destruindo definitivamente a Morte Carnal, esta opositora.
Esta voz, pela plenitude assaz revigorante, comprova naquele insólito momento, desprendendo uma virtude vinda do alto, e esse fiel libertador, diz, seguro e iluminado:
– Lázaro, vem para fora! (…)

(Colaboração de Julio Cesar Sampaio, Licenciado em Filosofia com pós-graduação no ensino de filosofia)