

A partir do final da década de 1950, em decorrência do crescimento populacional proporcionado pela citricultura, processo que gerou a vinda de muitos migrantes de diferentes regiões do país, ocorreu a formação de diversos bairros em áreas distantes do núcleo central da cidade, incluindo loteamentos e conjuntos habitacionais populares.
Os novos bairros receberam as mais variadas denominações, incluindo nomes de santos católicos, sobrenomes de famílias, aspectos geográficos e nomes femininos. Nesta categoria, o primeiro bairro foi inaugurado em 1968 com o nome de Vila Elizabeth, em homenagem à esposa do prefeito Sérgio Sessa Stamato, que em seu primeiro mandato foi responsável pela construção deste conjunto habitacional destinado a trabalhadores de baixa renda.
Tempos depois, em 28 de janeiro de 1973, ocorreu a inauguração do núcleo habitacional Vila Lourdes Hortal, em área vizinha à Vila Elizabeth, desta vez homenageando a esposa do prefeito Hércules Pereira Hortal. Foram projetadas e construídas 42 casas, cada uma com 59,08 m2 de área de construção, com sala, dois dormitórios, cozinha, banheiro e terraço, a preço reduzido e com parcelamento em prestações mensais sem juros ou correção monetária. A distribuição foi feita por sorteio público, destinando-se 20 unidades para funcionários municipais e 22 a particulares, com a comprovação de não possuírem nenhum imóvel. Na mesma ocasião foi entregue uma escola municipal que foi denominada “José Caldeira Cardoso”, em homenagem ao jornalista diretor da Gazeta de Bebedouro.
Também neste período, surgiu o bairro Jardim Três Marias, por iniciativa de Newton Caldeira Ferraz, que promoveu o loteamento em chácara pertencente à família e decidiu homenagear suas três filhas, chamadas Maria Bernadete, Maria Cristina e Maria Tânia. O pequeno bairro, localizado entre a avenida Pedro Hortal e a fazenda da empresa Cutrale, é formado por apenas 10 quadras, com ruas de pequena extensão que receberam nomes dos distritos, povoados e pequenas cidades vizinhas de Bebedouro.
Nos anos seguintes, o contínuo crescimento populacional resultou na construção de novos conjuntos populacionais em todas as regiões da cidade. Entre eles, destaque para o denominado Jardim Cláudia I, construído no primeiro mandato do prefeito Hélio de Almeida Bastos e inaugurado em novembro de 1980, objetivando possibilitar o acesso à moradia própria para cerca de 1.760 pessoas, que passaram a residir nas 352 residências entregues com infraestrutura completa, incluindo rede de água e esgoto, energia elétrica, calçamento, asfalto, arborização etc.
Além deste núcleo residencial, outro seria entregue em março 1983, formado por 580 residências e sendo nomeado como Jardim Cláudia II. Conforme relatou o prefeito Hélio Bastos, a escolha do nome do bairro foi resultado de acordo com o ex-proprietário do terreno adquirido pela prefeitura, Hélio Canal, que tinha uma filha chamada Cláudia. Coincidentemente, o então prefeito que também se chamava Hélio igualmente tinha uma filha com o mesmo nome.
O novo bairro representou impulso para o crescimento do setor do extremo norte da cidade e nos anos seguintes foram implantados diversos novos bairros, incluindo conjuntos habitacionais projetados pelo poder público municipal em parceria com o governo estadual ou federal, bem como empreendimentos da iniciativa privada.
Paralelamente à construção das novas casas, ocorreu também a instalação de estabelecimentos comerciais dos mais variados ramos, empresas industriais e de serviços, templos religiosos, escolas, instituições sociais e outros, reforçando a ideia de que toda a área que fica além da Rodovia Armando de Salles Oliveira representa uma outra cidade dentro da cidade.
Assim como no setor norte, a expansão urbana ocorreu nos demais setores da cidade, e entre dezenas de novos bairros que surgiram, diversos receberam nomes femininos, como Jardim Júlia, Vila Paula e Residencial Antônia Santaella, entre outros, cujas denominações serão abordadas em outro artigo.
(Colaboração de José Pedro Toniosso, professor e historiador bebedourense,
www.bebedourohistoriaememoria.com.br).
Publicado na edição 10.964 de sábado a terça-feira, 1º a 4 de novembro de 2025 – Ano 101




