Na cidade, distrito, povoados e zona rural, a devoção à padroeira do Brasil

José Pedro Toniosso

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Fachada atual da Igreja Matriz de Nossa Senhora Aparecida que, mesmo após a grande reforma realizada recentemente, manteve no alto da sua torre, a representação da imagem da padroeira. Foto: acervo do autor.

Anualmente no mês de outubro, inúmeros eventos são realizados pela comunidade católica em homenagem à Nossa Senhora Aparecida, reconhecida oficialmente como santa padroeira do Brasil em 1930. No entanto, somente em 1980, o 12 de outubro seria declarado como feriado nacional, após sanção do presidente João Batista Figueiredo, o último do período da ditadura militar.

Desde quando a imagem original da santa foi encontrada nas águas do rio Paraíba do Sul, no longínquo século XVIII, a devoção se expandiu por aquela região e, depois, por todo país, fazendo com que a cidade de Aparecida do Norte viesse a se tornar um centro religioso, onde seria construído um dos maiores santuários marianos do mundo.

Assim como em outras cidades espalhadas pelo território nacional, Bebedouro também vivenciou a expansão desta devoção desde as primeiras décadas do século passado, processo que incluiu a construção de diversas capelas, na área urbana e rural, além da criação de uma paróquia que foi dedicada à padroeira nacional.

Entre as capelas, uma das primeiras a serem construídas foi a do povoado de Andes, ainda em 1916, o que fez com que o local se tornasse um marco histórico e uma referência religiosa, onde a comunidade passou a ser reunir em celebrações eucarísticas e festejos, sendo necessário que a construção fosse ampliada em 1955. Entre os eventos realizados anualmente se destaca a caminhada realizada há mais de vinte anos, na manhã de 12 de outubro, quando milhares de fiéis de Bebedouro e região percorrem o trajeto de cerca de dez quilômetros entre o Educandário Santo Antônio e a capela do povoado, em ato de fé e devoção.

No povoado de Areia, que já vivenciou épocas mais movimentadas, especialmente durante o período de funcionamento da estação ferroviária local, a maior parte das construções do passado se perdeu no decorrer dos anos, restando, no entanto, a capela dedicada a Nossa Senhora Aparecida, onde eventualmente ocorre alguma celebração religiosa ou a tradicional festa, para a qual foi edificado recinto específico.

Também no distrito de Botafogo a capela dedicada à padroeira tornou-se local de destaque, desde a primeira construção, construída nas primeiras décadas do século passado e que passou por ampliação na década de 1940, com a construção de uma torre. Nos anos de 1970, com o receio do desmoronamento desta torre, a comunidade católica botafoguense se mobilizou pela construção de um novo templo, o qual foi inaugurado em 1977. Curiosamente, a antiga igreja foi demolida, exceto a torre, que apesar da ameaça de ruir, foi mantida e permanece preservada até os dias atuais. Desde 1964, Botafogo passou a sediar a Paróquia de Nossa Senhora Aparecida, que mantém a tradição da festa anual, reunindo moradores da área urbana e rural do distrito e de toda a região.

Na zona rural, entre as capelas dedicadas à santa, destaque para aquela localizada na antiga Fazenda Paiol, construída no início do século passado. No decorrer dos anos, tornou-se uma tradição as romarias realizadas espontaneamente ou organizadas por associações religiosas que, seja pela estrada de terra ou pela antiga linha do trem, dirigem-se à ‘Capela do Orpheu’ (Bertolami), para fazer pedidos ou agradecer as graças alcançadas.

Já na cidade, antecedendo a criação da Paróquia, ocorreu a construção de modesta capelinha na rua Benjamin Constant, por iniciativa de Antônio Marques da Silva e família. Inaugurada com missa em 15 de novembro de 1958, permanece aberta aos fiéis ao lado da portaria da empresa Garcia Produtos Siderúrgicos.

Finalmente em 1960, quando ocorreu a criação da segunda paróquia da cidade, esta foi dedicada à Nossa Senhora Aparecida, cuja igreja matriz teve a pedra fundamental lançada no dia 12 de outubro daquele ano, evento que contou com significativa presença social. A obra se estendeu por vários anos e contou com a instalação de diversos elementos artísticos internos e externos, sendo inserida na torre do templo uma representação da padroeira que se tornaria a marca da construção, mesmo após diversas reformas, sendo, portanto, a representação do fervor religioso da comunidade católica bebedourense.

(Colaboração de José Pedro Toniosso, professor e historiador bebedourense,

www.bebedourohistoriaememoria.com.br).

Publicado na edição 10.961 de sábado a sexta-feira, 18 a 24 de outubro de 2025 – Ano 101