
Dando continuidade à última edição, apresentamos a seguir sete ganhadores do Prêmio Nobel de 2014: Química, Economia, Literatura e Paz.
Onde as vistas não alcançam
A história mais aceita pela comunidade científica atribui à família holandesa Janssen a criação do microscópio em 1590, embora as primeiras observações sistematizadas da natureza utilizando-se esse instrumento sejam creditadas ao também holandês Antonie van Leeuwenhoek. Como o telescópio, inventado pouco tempo depois, o microscópio abriu uma enorme janela para o homem não só explorar profusamente a ciência, como redefini-la em seus aspectos mais elementares.
Quatro séculos mais tarde a evolução tecnológica tomou conta dos laboratórios mundo afora e permitiu ao homem subverter o cenário nanométrico, alcançando detalhes inimagináveis até então, como as partículas dentro das células, as moléculas de polímeros, as sinapses entre os neurônios e as partes de DNA. Dois elementos chaves contribuíram imensamente para tais conquistas: o microscópio eletrônico e o desenvolvimento da microscopia fluorescente.
O microscópio eletrônico foi inventado pelo físico alemão Ernst Ruska em 1931, e o processo de microscopia fluorescente vem sendo aprimorado pelos norte-americanos Eric Betzig e William Moerner e pelo romeno naturalizado alemão Stefan Hell ao longo das últimas décadas. Ruska recebeu o reconhecimento da Academia Real das Ciências da Suécia com o Prêmio Nobel de Física de 1986; já Betzig, Moerner e Hell são os laureados de 2014.
Regulação do mercado
Em épocas de grandes fusões e aquisições em que prevalecem os cenários monopolistas ou oligopolistas, modelos de regulamentação são essenciais para que governo e mundo privado encontrem um equilíbrio e ofereçam serviços de boa qualidade a custo razoável ao consumidor.
Em meio a lama de corrupções e desvios, a Petrobras é uma das grandes companhias mundiais que representa as características monopolistas do mercado de petróleo no Brasil. Inúmeros outros exemplos fazem par a ela, como a Ambev no mercado de bebidas, a Natura no mercado de cosméticos, a Google no mercado de tecnologia da informação e várias outras gigantes indomáveis.
O economista francês Jean Tirole vem estudando por décadas esse tipo de mercado e sugerido modelos de regulação para que o governo encontre o equilíbrio necessário que possa permitir a prática mono-oligopolista com baixos impactos negativos ao consumidor final. Por esse trabalho precioso e de alta relevância ele foi laureado com o Prêmio Nobel de Economia.
Pela memória e pela identidade
Embora pouco conhecido no mundo, o escritor parisiense Patrick Modiano faz muito sucesso na França com uma literatura simples e objetiva que retrata, entre outras, as histórias da ocupação nazista na Europa, em especial, na França. Um dos mais famosos romances do autor – A rua das lojas escuras – retrata a amnésia de um homem que parte em busca de sua identidade perdida. Pelo conjunto de sua obra Modiano foi laureado com o Nobel de Literatura de 2014.
O futuro das próximas gerações
O Prêmio Nobel da Paz de 2014 foi dedicado a duas grandes causas que povoam o imaginário mundial: a exploração infantil e a educação infantil.
Kailash Satyarthi, indiano e veterano na luta pelo fim da escravidão infantil que extrapolou a circunscrição da Índia e fez história no mundo foi um dos ganhadores do Nobel da Paz. O reconhecimento vem em boa hora, quando a sociedade se vê pressionada pelo consumismo exacerbado, pela rapidez das transformações e pelo apego material, forjados principalmente à custa da mão-de-obra infantil. Estima-se que 168 milhões de crianças no mundo sejam submetidas a essa massacrante penúria.
Malala Yousafzai, jovem paquistanesa que foi notícia no mundo após ser baleada por militantes Talibã aos quinze anos quando deixava a escola, foi a outra ganhadora do Prêmio Nobel da Paz. Ela tem lutado incondicionalmente contra a supressão da educação às meninas do Paquistão, mas sua bandeira, como a de Satyarthi, extrapolou as barreiras nacionais paquistanesas para tomar conta do mundo.




