O bebedourense e seus papéis

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Em 29 de novembro comemora-se em Bebedouro, 50 anos da prática do cooperativismo. Pioneira, já que até a entidade que agrega as cooperativas brasileiras, a OCB, foi fundada depois, em 1969.
As primeiras manifestações que deram origem ao cooperativismo datam do século 18, na Inglaterra, como uma reação de trabalhadores ao sistema capitalista e seus processos produtivos, por vislumbrarem uma sociedade mais justa e igualitária, cujos pressupostos seriam divergentes do modo de produção capitalista, para valorar o ser humano e suas relações.
Robert Owen (1771-1888) é tido como um dos precursores destas ideias e defendia que a outrora ordem vigente deveria ser substituída por um modelo baseado na convivência harmoniosa e não na competição e acúmulo de riquezas. E que o ideal deste modelo haveria de surgir da solidariedade e da espontaneidade entre as pessoas, cujo processo de execução e concepção deveria considerar o dever e o direito dos cooperados, resgatando a importância da cooperação nas relações entre os seres humanos e suas organizações sociais.
Em 1843, na cidade de Rochdale, um grupo de trabalhadores fracassou ao fazer reivindicações usando a greve como instrumento. Depois de demitidos, os tecelões de Rochdale fundaram uma cooperativa com base nos fundamentos dos precursores, mas criando um novo modelo.
Organizaram-se em reuniões, arrecadaram a mesma quantia em dinheiro de cada trabalhador e criaram um fundo, que depois foi usado para constituir um armazém da cooperativa de consumo.
Já com 28 tecelões, eles elaboraram sete princípios nomeados como Princípios do Cooperativismo que até hoje norteiam a constituição das cooperativas.
No mundo todo o cooperativismo prospera, mas no Brasil ainda engatinha com 4 milhões de associados em coperativas dos mais diversos ramos, enquanto na China já são 160 milhões de cooperados.
Em 1964, bebedourenses visionários viram nos princípios do cooperativismo, a chance de fazer diferente criando a primeira coperativa. Assim Bebedouro passou a carregar consigo, o DNA do cooperativismo.
São vários exemplos dos quais a Gazeta de Bebedouro selecionou alguns para produzir o Suplemento Especial dos 50 anos do Cooperativismo em Bebedouro, encartado nesta edição.
Ainda nesta edição, outra reportagem mostra os bebedourenses novamente dando exemplo de solidariedade e amor ao próximo, com o resultado maiúsculo da Festa Direito de Viver em prol do Hospital de Câncer de Barretos.
Nessa hora, a antiga rixa com a cidade vizinha não dá a mínima mostra de existir. O que vale é o reconhecimento pelo trabalho impecável ao alcance de todos os pacientes com câncer, praticado pelo hospital de Barretos.
Os propósitos de ajudar se agigantam e o comprador do pastel ou da cartela de bingo; a empresa que doou o carro a ser sorteado ou o voluntário que trabalhou até cansar ficam de mãos dadas. Foram arrecadados R$ 720 mil. Isso mesmo, muito acima da meta dos organizadores.
Parabéns, Bebedouro! O nome de Cidade Coração lhe cabe como nunca.