O futuro já chegou: estamos preparados para envelhecer?

Bruna Momente Coviello

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Bruna Momente Coviello Assunção articulista da Gazeta de Bebedouro, trazendo reflexões sobre longevidade, envelhecimento ativo e qualidade de vida, no sábado.

A cada poucos segundos, um brasileiro completa 60 anos. Enquanto seguimos nossa rotina, trabalho, compromissos, planos, uma transformação silenciosa acontece diante de nós: o Brasil está envelhecendo, e rápido.

Feche os olhos por um instante e imagine o nosso país daqui a 20 ou 25 anos. Quem estará ocupando os consultórios, os supermercados, as academias, os aeroportos? Quem estará planejando viagens, aprendendo coisas novas, cuidando da casa, dos netos, de si mesmo? A resposta é simples: todos nós.

O Brasil já não é mais um país jovem. Milhões de pessoas acima dos 50 anos seguem ativas, produtivas e desejando qualidade de vida. A expectativa de vida aumentou de forma significativa nas últimas décadas: vivemos mais. Mas a pergunta que precisa ser feita é outra: estamos nos preparando para viver melhor esses anos a mais?

Na Gerontologia, fazemos uma distinção essencial: não basta prolongar o tempo de vida, é preciso preservar autonomia, funcionalidade, vínculos sociais e sentido de viver. De que adianta adicionar décadas se elas forem marcadas por fragilidade, dependência e solidão?

A geração que envelhece hoje não quer ser invisível. Ela rejeita a ideia de que envelhecer é sinônimo de declínio. Quer participar, consumir, aprender, se movimentar, amar e ser respeitada. Quer um novo imaginário para a maturidade, mais ativo, mais potente e mais humano.

Apesar disso, nossa sociedade ainda resiste. Muitos serviços, produtos e discursos seguem focados apenas na juventude, ignorando uma parcela crescente da população. Essa lógica, no entanto, está mudando. O envelhecimento deixou de ser um assunto do futuro, ele é uma realidade do presente.

A grande revolução da longevidade não está apenas em viver mais anos, mas em como vamos viver esses anos. Envelhecer bem exige planejamento, escolhas conscientes e, principalmente, uma mudança de olhar: individual e coletiva.

2026 começa com um convite inevitável à reflexão. O futuro já chegou.

Estamos preparados para envelhecer com dignidade, autonomia e propósito?

(Colaboração de Bruna Momente Coviello, estudante de Gerontologia e colunista da Gazeta de Bebedouro).

Publicado na edição 10.980, quarta, quinta e sexta-feira, 21, 22 e 23 de janeiro de 2026 – Ano 101