

Na década de 1930, o Ginásio Municipal de Bebedouro disponibilizava às famílias um folder com diversas informações sobre o estabelecimento, no qual destacamos: “Os srs. Pais que desejarem matricular seus filhos no internato do Ginásio Municipal de Bebedouro, poderão pedir informações diretas aos nossos atuais alunos, sobre alimentação, disciplina, ordem, asseio e ensino. Há atualmente no internato […] alunos procedentes de quase todas as cidades da Alta Paulista, Araraquarense, São Paulo-Goiaz, Mogiana, Douradense e Triângulo Mineiro. O internato […] é um dos maiores do interior do Estado. A disciplina já é tradicionalmente conhecida como perfeita e rigorosa. Ela é o maior orgulho deste estabelecimento de ensino.”
No trecho apresentado observa-se a ênfase em relação ao regime de internato oferecido exclusivamente a alunos do sexo masculino, de ensino primário e secundário. Era uma modalidade bastante procurada na época em decorrência da ausência de boas escolas nas cidades menores e na dificuldade de transporte para os que residiam em locais mais distantes.
Fundado em 1922 como Ginásio Luso Brasileiro, seu surgimento representou um marco na educação escolar bebedourense, tendo em vista a ampliação da oferta do ensino secundário que, até então, era oferecido de forma precária em pequenos estabelecimentos particulares.
O sucesso do empreendimento foi imediato e logo foi necessário a construção de um edifício que comportasse todas as etapas de ensino, nos regimes de internato, semi-internato e externato. A iniciativa foi conduzida pelo poder público municipal, tendo à frente do executivo o prefeito Antônio Alves de Toledo, com apoio da Câmara e da sociedade em geral e dois anos depois do lançamento da pedra fundamental, ocorreu a inauguração, em 26 de outubro de 1926.
Localizado na então denominada rua 13 de maio, atual rua Prof. Orlando França de Carvalho, o estabelecimento se tornou o Ginásio Municipal. O prédio possuía três pavimentos, sendo que o superior era reservado para o internato.
No ato da matrícula, as famílias que optavam por este regime recebiam uma extensa lista de enxoval escolar, que incluía uniformes de rotina, de gala e de ginástica, agasalhos, roupas íntimas, de cama e banho, calçados, além de diversos itens de higiene e complementares. Em todas as peças deveria constar o número de matrícula do aluno e se houvesse necessidade de reparos e cuidados especiais havia cobrança extra.
A rotina dos internos era marcada pela rigidez nos horários, organizados para não prejudicar o acompanhamento das aulas e demais atividades escolares. Separados nos dormitórios conforme a idade, deveriam respeitar as regras: hora de levantar, do banho, café da manhã, estudos individuais, descanso, almoço, aulas regulares, atividades físicas, lanche, jantar e de dormir.
O funcionamento do internato esteve sob a administração direta do Ginásio até o ano de 1948, quando ocorreu a criação do Ginásio Estadual que, sequencialmente, ao ser instalado no mesmo prédio, resultou na supressão do Ginásio Municipal, que seria encampado pelo governo do Estado, sendo transferido a este o prédio, instalações e equipamentos.
Ato contínuo, após a publicação de Lei aprovada pela Câmara, a Prefeitura assumiu, a partir de 1º de janeiro de 1949, a manutenção do que passou a ser denominado “Pensionato Municipal”, sendo definido que os lucros seriam destinados ao pagamento das indenizações dos professores e funcionários do Ginásio que fora extinto.
O Pensionato funcionou regularmente nos anos de 1949 e 1950, porém no final deste, houve um embate entre o executivo e legislativo sobre sua viabilidade. Após a publicação de um comunicado informando que em sessão ordinária da Câmara os vereadores decidiram por unanimidade pelo fechamento do local, o prefeito municipal Quito Stamato, fez um apelo pela continuidade, o que levou à anulação da decisão anterior.
Em outubro de 1951 ocorreram eleições municipais e houve mudança no grupo político que estava à frente do executivo. Em fevereiro de 1952, após aprovação da Câmara, o novo prefeito dr. Pedro Paschoal oficializou a imediata extinção do Pensionato, sendo autorizada a arrecadação de todo o material disponível no referido Departamento para que fosse vendido ou arrendado por concorrência pública.
A partir de 1954, o estabelecimento passou a ser denominado “Colégio Estadual e Escola Normal Dr. Paraíso Cavalcanti”, e em março de 1958 foi anunciada a autorização para a construção de um novo prédio para a escola com recursos do governo do Estado de São Paulo. Finalizadas as obras, em 1962 seria inaugurado sob a denominação de “Instituto de Educação Dr. Paraíso Cavalcanti”, conforme consta em sua fachada até a atualidade.
(Colaboração de José Pedro Toniosso, professor e historiador bebedourense,
www.bebedourohistoriaememoria.com.br).
Publicado na edição 10.983 Sábado a terça-feira, 31 de janeiro a 3 de fevereiro de 2026 – Ano 101




