

Embora a produção e o consumo de pães se fizessem presentes desde os primórdios de Bebedouro, foi somente na primeira década do século passado que surgiram os primeiros estabelecimentos de panificação na cidade, por influência da vinda dos imigrantes europeus após a instalação da linha férrea.
Conforme registros de memorialistas e na imprensa local, a “Padaria e Confeitaria Germânica”, pertencente à firma Hans e Cia. e fundada em 1909, teria sido a primeira, localizada na rua São João, em frente à sede do Club Literário Recreativo.
Em 1913, em anúncio publicado pelo Jornal de Bebedouro, o estabelecimento possuía novo proprietário, Paulo Pistorius, e anunciava: “O proprietário desta antiga e acreditada casa, avisa aos seus amigos, fregueses e ao público em geral que reabriu a mesma, tem pessoal competente e habilitado para bem servir a qualquer pedido deste gênero. Entregas a Domicilio. Aceita-se encomendas para festas, casamentos, batizados etc. Brevemente, pão de centeio!”
O encerramento das atividades da primeira padaria em tão pouco tempo pode ser associado a diversas dificuldades que então existiam e que persistiram nas décadas seguintes, incluindo os hábitos das famílias, acostumadas a consumir os pães caseiros e a falta ou alto preço da principal matéria-prima, o trigo, bastante dependente da importação. Estes fatores podem estar relacionados à constante troca dos proprietários das empresas de panificação no decorrer dos anos.
Nos anos de 1920, por exemplo, seria fundada a “Padaria e Confeitaria Moderna”, na rua Francisco Inácio, 431, local que permaneceu como endereço de panificadoras até a década de 1990.
Com a referida denominação passou por diversos donos e em anúncio de 1939, informava que havia recebido “farinha boa”, tendo “melhorado ainda mais os seus produtos”. De fato, era um período de escassez do trigo, o que exigia a busca de alternativas, como a adição de raspa de mandioca na produção do pão, tornando-o mais acessível aos consumidores.
Outras panificadoras estiveram em funcionamento entre as décadas de 1940 e 1960, como a “Central”, na praça Barão do Rio Branco, e que passou por diferentes proprietários no decorrer deste tempo. Ou a “Padaria e Confeitaria Internacional”, instalada na Cel. João Manoel, n. 540, e que teve entre os seus donos, Amadeu Tabachi, Mellen José Karan e Jurandir Cometti. Na década seguinte, foi adquirida por Domingos Nardi, tendo funcionado no mesmo endereço com a denominação “Padaria e Confeitaria Americana.”
Outro endereço que se tornou tradicional no ramo da panificação foi na rua Dr. Oscar Werneck, n. 703, na esquina com a Vanor Junqueira Franco, onde foi instalada a “Padaria Progresso” nos anos de 1940 por Orlando Machado, sucedido por outros até o início da década de 1960, quando se tornou a “Padaria e Confeitaria Santa Terezinha”, de Guilherme Messias da Silva e João Morato, ali permanecendo até meados do decênio seguinte, quando o imóvel foi vendido e demolido.
Entre as décadas de 1930 e 1950 esteve em funcionamento a “Padaria e Confeitaria São João”, localizada na rua com o mesmo nome, e que teve diversos proprietários no decorrer destes anos, como Antônio Gonçalves Moraes, Oswaldo Perrone, José Vieira e Virgílio Spada, que mudou o nome para “Padaria São Roque”. Já no início dos anos de 1960, Virgílio Spada adquiriu a tradicional Padaria Moderna, na rua Francisco Inácio, que passou a ser denominada “Padaria Pão de Ouro”, sendo sucedido por Alécio Antoniolli em 1977, que alterou para “Padaria Pão de Ouro Jovi”, nome mantido pelo sucessor, Francisco Hernandes Filho, em 1980.
Outro estabelecimento que se tornou tradicional foi a “Indústria de Panificação São Pedro”, fundada por Hermes Molezin em 1936 e que nos anos seguintes ampliou a atuação para confeitaria, sorveteria e, posteriormente, supermercado. Instalado na rua Cel. João Manoel esquina com a Rubião Júnior, o imóvel passou por diversas reformas e ampliações, além da abertura de filiais, nas ruas XV de Novembro, São João, Brandão Veras, Joaquim José de Lima e Francisco Inácio.
Verifica-se que, desde o surgimento do primeiro estabelecimento de panificação em 1909, diversos outros foram inaugurados. Alguns funcionaram por longos períodos — mesmo sob novas direções ou endereços —, enquanto outros tiveram passagem efêmera. Nas últimas décadas do século passado, novos estabelecimentos surgiram e, a exemplo dos pioneiros, passaram por reformas e mudanças de gestão para satisfazer um público cada vez mais exigente, mas procurando equilibrar inovação e tradição.
(Colaboração de José Pedro Toniosso, professor e historiador bebedourense,
www.bebedourohistoriaememoria.com.br).
Publicado na edição 10.994 Sábado a terça-feira, 14 a 17 de março de 2026 – Ano 101




