
A segurança pública é um dos pilares fundamentais para a convivência pacífica e o desenvolvimento social. Contudo, não se trata de responsabilidade exclusiva do Estado ou das forças policiais. A construção de uma sociedade segura exige a participação ativa da comunidade, que desempenha papel essencial na prevenção da violência, na promoção da cidadania e na construção de um ambiente de confiança mútua entre população e autoridades.
Historicamente, o conceito de segurança pública esteve associado apenas à repressão do crime e à atuação policial. Com o tempo, porém, percebeu-se que o enfrentamento da violência requer esforço coletivo, capaz de agir não apenas nas consequências, mas também nas causas do problema. Nesse sentido, a comunidade torna-se agente fundamental na formulação e execução de políticas públicas voltadas à segurança.
A participação comunitária pode se manifestar de diversas formas. Um exemplo são os conselhos comunitários de segurança, chamados Conseg’s, presentes em muitos municípios, que aproximam cidadãos, líderes locais e autoridades policiais para discutir os principais problemas da região e buscar soluções conjuntas. Essa interação gera resultados positivos, pois permite que as ações das forças de segurança sejam mais direcionadas e baseadas nas reais necessidades da população.
Outro aspecto relevante é o fortalecimento dos laços de solidariedade entre os moradores. Bairros organizados, com boa comunicação entre vizinhos e participação em iniciativas coletivas, tendem a registrar menores índices de criminalidade. Projetos de “vizinhança solidária”, câmeras comunitárias, grupos de mensagens e campanhas educativas são exemplos de estratégias simples que contribuem para o aumento da sensação de segurança e a redução de oportunidades para o crime.
A educação também exerce papel determinante nesse processo. Comunidades que valorizam o ensino, o diálogo e a inclusão social estão mais protegidas contra a marginalização e a criminalidade. Escolas, igrejas, associações e organizações não governamentais têm poder de mobilização e podem atuar como espaços de prevenção, especialmente entre crianças e adolescentes, oferecendo alternativas saudáveis de convivência, esporte, cultura e lazer.
Além disso, é essencial que a comunidade mantenha canal permanente de diálogo com as instituições públicas. A denúncia de atividades suspeitas, o respeito às leis e a colaboração com as autoridades ajudam a construir uma rede de confiança e corresponsabilidade. Quando o cidadão compreende que também é protagonista da segurança local, transforma-se em parte da solução, e não apenas espectador dos problemas.
Em síntese, a segurança pública eficaz depende da união entre Estado e sociedade. O policiamento comunitário, as ações preventivas e o engajamento dos moradores formam o tripé da política moderna e sustentável de segurança. A comunidade, portanto, não é apenas beneficiária das políticas públicas, mas agente ativo na construção de um ambiente mais seguro, solidário e humano. Somente com essa parceria será possível alcançar o verdadeiro sentido de segurança: o bem-estar coletivo.
(Colaboração de Rogério Valverde, advogado, secretário de Segurança Pública de Bebedouro).
Publicado na edição 10.966 de sábado a terça-feira, 8 a 11 de novembro de 2025 – Ano 101



