
Lucas Seren
Que o nosso país enfrenta problemas sociais sérios desde a sua colonização, todo mundo sabe! Todos sabem também que estamos enfrentando uma crise política e um escândalo de corrupção sem precedentes na história do mundo moderno. O descrédito e as incertezas do cenário político acabaram por jogar nossa economia num processo de retrocesso, voltamos aos índices de produtividade do passado, deixando claro o descontrole e a fragilidade de um país grande, porém doente.
Contudo, o retrocesso dos índices econômicos, não é o que deveria estar nas capas de jornais ou nos preocupar neste momento, pois os dados revelados pela pesquisa do IBGE nesta semana são atormentadores e revelam uma pobreza que transcende a economia, apontando uma pobreza de humanidade e valores sociais, que representam o pior dos retrocessos.
A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), nos diz que o número de pessoas com idade entre 5 e 13 anos trabalhando subiu 9,48% em 2014. É a primeira alta na década sofrida por este índice que estava em queda.
Pequenos seres humanos de mãos calejadas e sonhos apartados. Desumanidade! A pior pobreza não é a falta de dinheiro no mercado ou desvalorização da moeda, nada mais triste e pobre para um país do que retirar de um ser humano sua dignidade, oportunidade de sonhar e de ser criança.
Um país que possui crianças voltando para o mercado de trabalho, tem problemas muito maiores do que podemos imaginar, muito pior que a alta do dólar ou crescimento da inflação. Sabemos que os fatores econômicos determinam os índices sociais, o desemprego dos pais pode afetar a vida dos filhos. Mas, não podemos permitir que este o número de crianças trabalhadoras volte a crescer e tratá-lo apenas como mais um índice ruim deste país absurdo, pois isso representa a volta da desesperança e a certeza de dias piores para uma enorme geração de brasileiros.
(Colaboração de Lucas Seren, sociólogo).
Publicado na edição nº 9915, dos dias 17 e 18 de novembro de 2015.




