
O agrotóxico já causou muito estrago à humanidade. Produzido há mais de um século, esse agente químico é utilizado em larga escala para combater as pragas das lavouras no mundo. A intoxicação de trabalhadores durante o processo de produção e até mesmo a intoxicação de cidades inteiras já figuraram na relação dos impactos negativos causados por ele.
Um dos casos de maior repercussão ocorreu na cidade de Anniston, situada no estado norte-americano do Alabama. Entre os anos de 1920 e 1970 a Monsanto produziu toneladas de PCB – bifenilpoliclorado – produto altamente tóxico para o meio-ambiente e para as pessoas a sua volta. Por décadas, a companhia envenenou as terras e as águas de Anniston sem, contudo, informar a população local sobre os verdadeiros impactos. Pelo contrário, após a justiça ordenar à companhia que liberasse os relatórios internos confidenciais, veio a público que ela não queria perder um dólar sequer com a queda nos negócios em função de qualquer notícia que pudesse macular o seu nome.
Milhares de pessoas adoeceram e morreram na cidade, muitas delas de hepatite, diabetes e câncer, uma história horrível. Em 2001, cerca de 20 mil cidadãos se juntaram e processaram a Monsanto, o que gerou um acordo entre ambos de cerca de 700 milhões de dólares para compensar as vítimas, limpar o solo e construir um hospital especializado.
Pelos lados de cá
O Brasil, dada a sua extensa área agriculturável, é um dos maiores consumidores de agrotóxico do mundo. Em função de uma legislação frágil e da corrupção exacerbada que povoa os palacetes governamentais, são liberadas sistematicamente maiores quantidades de agrotóxicos para uso cotidiano. Alguns já foram proibidos em vários países, mas por aqui ainda são liberados sem prazo de prescrição, já que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária sequer consegue fechar os processos de proibição.
O contrabando também é outro viés negativo. De acordo com o Sindicato Nacional de Produtos para Defesa Agrícola, somente em 2011 foram apreendidas mais de 50 toneladas de agrotóxico falsificado.
Envenenados
em Lucas
Como nos Estados Unidos, nós também já vivenciamos casos de intoxicação massiva. Uma das mais relevantes histórias ocorreu em Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso. A cidade é a segunda maior produtora de grãos do estado. De acordo com jornal local, em 2009 a cidade cultivou cerca de 410 mil hectares de soja e milho, um exemplo de grandeza para os negócios da região. Grandeza também no consumo de agrotóxico utilizado, cerca de 5 milhões de litros. Se por um lado a riqueza da produção vai para o bolso de alguns poucos privilegiados, o seu alto custo recai sobre a cabeça da população.
Foi o que aconteceu em 2006 naquela cidade. Pulverizações aéreas com o produto paraquat – proibido nos Estados Unidos e diversos países da Europa – atingiram a zona urbana provocando um verdadeiro desastre à saúde da população. Pesquisas realizadas mostraram que o agrotóxico chegara a atingir o leite materno das recentes mães, o que poderia acarretar dificuldades cognitivas e má formação física aos bebês, sem contar nas possibilidades de doenças como indução do aborto, desregulamento do sistema endócrino e o desenvolvimento do câncer.
Vida sem valor
É um sem número de casos em que a ganância pelo lucro fácil coloca o valor da vida humana e do meio-ambiente na lata do lixo. A ética, a honestidade e a transparência perdem completamente o sentido de suas existências.
Mas, a despeito dos cenários negativos o Brasil conta com várias entidades que lutam contra a utilização indiscriminada dos pesticidas, como é o caso da “Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida”, cujo objetivo é sensibilizar a população brasileira para os riscos que tais produtos representam à saúde e a partir daí tomar medidas para frear o seu uso no país. A educação e a conscientização da população sobre os perigos sem dúvida são as principais armas nesta luta, afinal, ninguém em sã consciência gostaria de provar desses perniciosos venenos.




