Para além da citricultura, uma indústria de óleos vegetais

José Pedro Toniosso

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Fachada atual da Igreja Matriz de Nossa Senhora Aparecida que, mesmo após a grande reforma realizada recentemente, manteve no alto da sua torre, a representação da imagem da padroeira. Foto: acervo do autor.

Desde as primeiras décadas do século passado vários estabelecimentos industriais foram fundados no município de Bebedouro, a maioria de pequeno porte, voltada para atender apenas ao mercado local ou microrregional, e de vários segmentos, como madeireiras, marmorarias, marcenarias, serralherias, entre outras.

A partir da década de 1930, em decorrência da crise econômica mundial, ocorreu a abertura de novas empresas fabris como alternativa à cultura cafeeira, principalmente na área alimentícia. Entre elas, fábricas de bebidas (Fabri, Tupy, Lusitana, Bebedouro); laticínios (Aviação, Catupiry, São Geraldo); Pastifício Marchesi; Indústria Prado de Conservas Alimentícias (fabricante do Molho Campeiro); Refinaria Americana, produtora do açúcar Nevada.

Com a consolidação da citricultura a partir da década de 1950, assim como a área agrícola passou a ter o predomínio da laranja, o mesmo ocorreu no comércio, com o surgimento das empresas de packing-houses, voltadas para atender o mercado e externo. Na sequência, surgiram as primeiras fábricas de suco, como a Companhia Mineira de Conservas, Sânderson do Brasil e Citrobrasil.

Para além da citricultura, diversas empresas fundadas anteriormente tiveram continuidade, mas também houve o surgimento de novos estabelecimentos industriais, e entre estes destacou-se a denominada Olma S.A. Indústria de Óleos Vegetais.

A origem desta empresa em Bebedouro remonta ao ano de 1964, quando os proprietários da Indústria de Óleos Terra Roxa Ltda, decidiram ampliar as instalações da empresa e desta forma entraram em entendimento com a Prefeitura Municipal, no mandato do então prefeito Sérgio Sessa Stamato, para transferir as atividades para este município. Desta forma, a municipalidade destinou à empresa um terreno de 16.370 m2, onde a indústria foi instalada.

Um dos fatores que influenciaram na decisão de mudança foi a localização estratégica, às margens da rodovia Armando de Salles Oliveira e dos trilhos da Fepasa S.A., ao final da avenida Quito Stamato, região em que várias empresas industriais estavam se instalando na época.

Dez anos após a instalação em Bebedouro, conforme reportagem publicada na imprensa local, a “Olma” produzia óleo de amendoim, soja e mamona, além de farelo de amendoim e soja, e torta de mamona, sendo que 80% da produção eram exportadas para mercados como Estados Unidos, Rússia e outros países da Europa e da Ásia. Para isso a produção era encaminhada ao porto de Santos por meio de vagões graneleiros, sendo descarregada diretamente nos navios.

Quanto ao mercado interno, os principais produtos eram os óleos de amendoim e soja, comercializados em latas de diversos tamanhos, vendidos para todo o estado de São Paulo, Triângulo Mineiro e Brasília.

Em 1974, a diretoria da empresa era constituída por Dimer Piovezan, diretor presidente; Dilter Piovezan, diretor administrativo; e Walter Scatambulo, secretário. Na época, a empresa empregava 190 funcionários, distribuídos em três turnos, tendo em vista que o funcionamento da fábrica era de 24 horas, sendo que no período da safra, o contingente de empregados chegava a até 350 pessoas.

No decorrer dos anos, a Olma passou por várias ampliações, com a construção de novos silos para armazenamento, setor de enlatamento, prédios administrativos e para funcionários. Tornou-se uma das mais importantes empresas do município, empregando centenas de bebedourenses e levando o nome da cidade pelo mundo afora por meio dos produtos fabricados e comercializados. Na década de 1990, a empresa passou a enfrentar diversos problemas financeiros e administrativos, o que levou a decretação da falência no ano de 1999.

Após permanecer inativa por vários anos, em maio de 2003, as atividades da fábrica foram reiniciadas após ser adquirida pela Granol Indústria, Comércio e Exportação S/A, empresa totalmente brasileira, que já atuava no ramo de compra, armazenamento e processamento de grãos, com unidades industriais em diversos municípios paulistas e de outros estados.

 

(Colaboração de José Pedro Toniosso, professor e historiador bebedourense,

www.bebedourohistoriaememoria.com.br).

Publicado na edição 10.962 de sábado a sexta-feira, 25 a 28 de outubro de 2025 – Ano 101