
Os pequenos produtores rurais de São Paulo têm papel fundamental na produção de alimentos e na preservação da diversidade agrícola. Muitos conciliam os desafios do mercado e a incorporação de novas tecnologias com a atenção à sucessão familiar, buscando garantir que suas propriedades continuem a florescer de geração em geração. Para esses produtores, cada colheita é mais do que produção: é um legado que precisa ser cuidado e transmitido com segurança.
A sucessão, antes vista como assunto privado, hoje ocupa espaço em cooperativas, associações e programas voltados à juventude. Iniciativas de capacitação técnica, orientação para gestão e troca de experiências mostram que é possível unir tradição e inovação, incentivando os jovens a permanecerem no campo e a contribuir com novas ideias. Muitos aprendem a lidar com a burocracia, a negociar com mercados mais exigentes e a utilizar ferramentas digitais, transformando o dia a dia da propriedade e tornando-a mais competitiva.
Nas propriedades que planejam a sucessão, filhos e netos que se dedicam ao campo com conhecimento técnico e domínio de ferramentas digitais ajudam a modernizar processos, aumentar a eficiência e, ao mesmo tempo, preservar valores e práticas transmitidos pela família. A convivência entre experiência e juventude cria ambiente fértil para experimentar novas técnicas, cultivar a sustentabilidade e fortalecer a cooperação.
O planejamento antecipado é essencial para que a atividade rural continue de forma sustentável. Ele envolve aspectos administrativos, jurídicos e operacionais, permitindo que a transferência de responsabilidades ocorra de forma gradual, garantindo estabilidade, aprendizado e inovação. Além disso, um bom planejamento ajuda a prevenir conflitos familiares e permite que decisões estratégicas, como investimentos e diversificação de culturas sejam tomadas com segurança.
Mesmo diante de limitações de escala e recursos, o pequeno produtor segue sendo pilar do agronegócio brasileiro, exercendo papel estratégico na produção de alimentos, na preservação ambiental e na manutenção da diversidade agrícola do país. Planejar a sucessão é, portanto, mais do que uma questão familiar: é garantir que a experiência e a paixão pelo campo continuem a inspirar novas gerações, fortalecendo um modelo de produção que combina tradição, criatividade e visão de futuro.
(Colaboração de Lucas Aniceto de Souza, jornalista formado pela Universidade Estácio de Sá, administrador pelo Unifafibe e atua na área de comunicação institucional, no segmento cooperativista agrícola, produção de conteúdo, e assessoria de imprensa).
Publicado na edição 10.964 de sábado a terça-feira, 1º a 4 de novembro de 2025 – Ano 101





