Pessimismo x Otimismo: Hora de Recalcular a Rota

Sandra Campos

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Sandra Campos, palestrante e ativista pela vida. Foto: Divulgação.

É público e notório que passamos boa parte do dia em busca de respostas e soluções para diversas situações da vida. O desafio é encontrar o caminho da felicidade, da paz, da realização dos sonhos.

Numa dessas “viagens”, me deparei com um vídeo da jornalista Dani Brandi, âncora de um dos maiores programas policiais do país. O conceito era: “Recalculando a Rota da Vida”, tendo como referência o destino traçado pelo conhecido GPS.

E me lembrei de duas situações:

— Primeira. A realização do sonho de comprar um carro. Só que no caminho para casa, tudo desmoronou. Fui assaltada. Levaram o carro. O desespero tomou conta pela perda.

Deitei na cama, mas o sono não vinha. Só a revolta. Questionei Deus. Não aceitava o que tinha acontecido comigo.

Liguei a televisão, e naquele exato momento passava uma reportagem sobre o “Tsunami” que havia ocorrido naquele dia. Uma tragédia que devastou um País. Pessoas sem casas, sem famílias, sem futuro.

Naquele instante, algo se quebrou dentro de mim. Senti-me pequena. Egoísta. Envergonhada. Desliguei a TV, chorei ainda mais e pedi perdão a Deus. Disse a Ele que não precisava me devolver o carro. Que eu trabalharia, lutaria e conquistaria tudo novamente. Só pedi forças. E adormeci.

Horas depois, a Polícia Militar avisou que haviam encontrado o carro em uma favela. Um policial foi até minha casa, arrumarmos um guincho e levamos o carro de volta para a agência.

No dia seguinte, o mecânico descobriu algo assustador: uma peça havia quebrado enquanto o bandido dirigia. E sentenciou: “Se fosse você ao volante, talvez não estivesse aqui hoje”.

— Outro fato. Recentemente, uma Guarda Civil Metropolitana de São Paulo mandou uma carta em que narrava ações da equipe “Guardiã Maria da Penha”. E a GCM, sensibilizada, resolveu voluntariamente criar “Rodas de Conversa” para ajudar essas mulheres, oriundas da periferia da cidade, a mudarem as suas vidas. Um episódio que emociona muito, pois envolve pessoas simples, vítimas que precisam de voz, de segurança, amor, compaixão, dignidade.

E nem sequer imaginavam qual caminho seguir ao se deparar com criminosos, homens desqualificados que destruíram o simples sonho da felicidade eterna. E esses GCMs surgem para ajudar na mudança de Rota dessas mulheres.

Esses episódios nos fazem entender que não podemos ter apegos. Nem sempre entendemos os porquês das dificuldades que passamos, mas Deus sabe tudo e está presente. Sempre.

Entramos, assim, num embate: “Pessimista” X “Otimista”. O primeiro bate o carro, se revolta, acha que o mundo acabou… e vai morrendo aos poucos por dentro.

O “Otimista”, ao sair do mesmo acidente ileso, cai de joelhos e agradece. Chora de alívio. Vai pra casa, abraça a família e diz: “Estamos vivos. Vamos recomeçar”.

Assim como o GPS que nos manda pra cá e pra lá, sempre haverá uma “Mudança de Rota” para fugir dos buracos, dos percalços.  A vida é exatamente isso: a busca pela felicidade, amor e esperança tem vários caminhos. E vamos perceber a recompensa quando, logo à frente, sem perceber, escutarmos aquela voz firme e forte: “Você chegou ao seu destino”.

(Colaboração de Sandra Campos que perdeu, há dois anos, seu filho de 24 anos para o suicídio e tornou-se uma Ativista pela Vida com o projeto NÃO TE JULGO, TE AJUDO!”. Um debate com a sociedade sobre os mais variados temas ligados ao sofrimento e ao comportamento humano. Instagram: @sandracamposa_Celular/Whatsapp: (11) 94813-7799).

Publicado na edição 10.994 Sábado a terça-feira, 14 a 17 de março de 2026 – Ano 101