Primórdios da conquista espacial

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Aliados contra um mal comum – a Alemanha nazista – Estados Unidos e União Soviética tornaram-se inimigos logo após o término da segunda grande guerra. No período que se seguiu, ambas as potências se defrontaram no que foi denominada “Guerra Fria”, nome dado a uma guerra de bastidores, na qual a espionagem reinava absoluta. Uma das conseqüências imediatas dessa guerra foi a rápida expansão da corrida espacial perpetrada pelos dois lados. Durante a década de 1950 e início da década de 1960, a União Soviética esteve à frente dos Estados Unidos com ampla vantagem, dadas às suas inúmeras conquistas: 1957, primeiro satélite artificial no espaço; 1959, primeiras fotos da Lua oculta; 1961, primeiro homem no espaço; e, 1963, primeira mulher no espaço. Já no final da década de 1960, os Estados Unidos começaram a reagir incrementando seu programa espacial e equilibrando a situação de desvantagem em que se encontravam. Um dos destaques do programa americano foi o denominado projeto Apollo. O seu objetivo era levar o homem à Lua antes do final dos anos de 1960. Aliás, essa era a promessa do então presidente americano J. F. Kennedy.

Rumo à Lua

O projeto Apollo foi desenvolvido entre as décadas de 1960 e 1970. O primeiro lançamento realizado pela Apollo 1, na verdade não saiu da Terra. Foi impedido por um incêndio que tirou a vida de três astronautas americanos. Depois desse acidente, muitas modificações e testes foram realizados no projeto e, em 16 de julho de 1969, a Apollo 11, composta por um módulo de comando, um módulo lunar e um foguete propulsor, partiu do Centro Espacial Kennedy rumo à Lua com os astronautas Neil Armstrong, Edwin Aldrin e Michael Collins a bordo. O foguete propulsor era o Saturno V, cuja altura atingia mais de 100 metros e cuja energia liberada no lançamento poderia iluminar uma cidade como Nova Iorque por mais de uma hora.
Depois de alguns dias de viagem e com percurso de quase 400 mil quilômetros que separam a Lua da Terra realizado, Armstrong e Aldrin aterrissaram na superfície da Lua com o módulo lunar, enquanto Collins permaneceu no módulo de controle, orbitando a Lua e aguardando o regresso dos companheiros. O primeiro astronauta e, portanto, o primeiro homem a pisar o solo lunar, foi Neil Armstrong. Na superfície lunar, os astronautas trabalharam por duas horas e meia, recolhendo amostras do solo, montando equipamentos para experiências sísmicas, tirando fotos e colocando placa e bandeira comemorativa. Quando deixaram a superfície lunar, carregavam mais de 400 kg de material coletado da Lua.

O regresso para casa e o sucesso do projeto

Em 24 de julho de 1969, os três astronautas encerraram sua viagem pioneira e histórica ao pousarem no oceano pacífico, a sudoeste do Havaí, onde foram resgatados pela marinha americana. Foram condecorados pelo presidente Richard Nixon e aclamados pelo povo. Nasciam três novos heróis americanos. Devido ao sucesso dessa viagem, o projeto Apollo continuou com outros lançamentos. Ao todo foram seis, dos quais cinco alcançaram seus objetivos, isto é, aterrissaram no solo lunar, fizeram pesquisas e retornaram à Terra. O último ocorreu em 1972.

Estímulos para o futuro

Nos últimos anos se levantou a hipótese da retomada das viagens à Lua para montagem de plataformas de lançamento de missões a Marte. Também se falou muito sobre a exploração de recursos naturais, como a água, supostamente encontrados naquele satélite. O fato é que o custo de viagens exploratórias ao espaço, mesmo para um satélite relativamente próximo à Terra, como a Lua, são imensamente altos. Seria necessária uma justificativa muito melhor do que as existentes atualmente para convencer governos e entidades privadas a voltarem a investir nesse tipo de programa. Ou, esperar que tecnologias mais evoluídas surjam e possam transportar o homem e seus equipamentos em um tempo e custos menores.
Em tempo, grande parte do sucesso do programa espacial americano deveu-se a um engenheiro alemão chamado Wernher Von Braun, o criador das bombas voadoras nazistas que castigaram a Inglaterra durante a segunda guerra mundial. E, a despeito das conquistas, muitas pessoas no mundo acreditam (ainda) que tudo não passou de uma grande encenação do governo americano para fazer frente ao evoluído programa espacial soviético.

Publicado  na edição nº 10057, de 10 e 11 de novembro de 2016.