

Quando falamos em interação medicamentosa, a maioria das pessoas pensa na mistura de dois medicamentos ou na combinação com alimentos.
Mas existe um tipo de interação pouco conhecido e muito importante, especialmente após os 60 anos: a interação medicamento–doença. Ela acontece quando um medicamento, mesmo sendo indicado para tratar um problema, pode piorar outra condição de saúde que a pessoa já possui. E isso é mais comum do que parece. Por que isso acontece com mais frequência no envelhecimento?
Com o passar dos anos, nosso organismo muda: • A função dos rins pode diminuir; • O fígado passa a metabolizar os medicamentos de forma diferente; • A composição corporal se altera; • A sensibilidade aos efeitos dos remédios aumenta. Além disso, muitas pessoas convivem com duas, três ou mais doenças crônicas ao mesmo tempo. Consequentemente, utilizam vários medicamentos diariamente.
Esse cenário aumenta o risco de que um remédio interfira negativamente em uma doença já existente. O problema não está apenas na prescrição. É importante entender: muitas vezes o medicamento foi corretamente indicado. O que muda é o contexto clínico. Uma nova doença pode surgir. A condição pode evoluir. O organismo pode responder de forma diferente com o avanço da idade. Por isso, tratamentos que eram adequados no passado podem precisar de ajustes ao longo do tempo.
A importância da revisão periódica
Revisar os medicamentos regularmente é uma medida de segurança. Essa revisão permite: • Avaliar se todos os medicamentos ainda são necessários; • Ajustar doses; • Identificar possíveis riscos; • Evitar complicações e internações.
Cuidar da medicação não é apenas tomar o remédio certo. É garantir que ele continue sendo seguro para a realidade atual da pessoa.
Envelhecer com segurança
O envelhecimento saudável não depende apenas de exames em dia, mas também de uma análise cuidadosa do tratamento medicamentoso. Se você ou um familiar utiliza vários medicamentos, vale a pena conversar com um profissional de saúde sobre a necessidade da revisão terapêutica. Às vezes, pequenas mudanças fazem grande diferença na qualidade de vida.
(Colaboração de Luiz Assunção, Farmacêutico Clínico CRF 23.110 SP | RQE 12595-47).
Publicado na edição 10.988 Sábado a terça-feira, 21 a 24 de fevereiro de 2026 – Ano 101




