
A política é mesmo muito diferente da iniciativa privada. A presidente Dilma Rouseff, reeleita com margem apertadíssima, está às voltas com a demissão de cerca de 20 ministros que devem sair direto para chorar suas mágoas com a ala que perdeu as eleições. Os políticos derrotados, por sua vez, costumam ouví-los para tirar proveito disso.
Guardadas as proporções, em Bebedouro acontece o mesmo. Com as recentes mudanças e consequentes demissões que vieram no pacote de medidas com vistas à adequação financeira e equilíbrio das contas da Prefeitura, e porque não dizer, procurando maior eficiência e qualidade, o time dos descontentes nesse processo de troca e supressão de cargos, foi direto para as redes sociais a denegrir o “ex-patrão”, com uma legião de oposicionistas a curtir suas postagens e dar-lhes boas-vindas.
Na iniciativa privada, esse processo parece bem mais ético, onde funcionário demitido jamais sai denegrindo a imagem da empresa que o demitiu. Mesmo porque com esta estratégia, o demitido queima sua imagem na hora de procurar um novo emprego. E essas notícias correm como rastilho de pólvora.
Já na política, os oposicionistas ficam como que à espreita, aguardando a palavra malversada de quem sai, para dar-lhe guarida.
Como diz aquele ditado muito antigo, “não devemos cuspir no prato que comemos”. Este é o modus operandi da iniciativa privada, que mostra a toda hora, ser bem mais eficiente e produtiva que “máquinas públicas”.
Os fatos ajudam o argumento, políticos em geral, querem neutralizar efeitos negativos provocados por demissionários e por isso incham a máquina pública porque cientes de que necessitam de eficiência, contratam novos sem demitir, para não serem execrados pelos demissionários.
Em Bebedouro, o prefeito que não é político profissional, está tentando fazer diferente. Mas os demissionários estão numa chiadeira de fazer gosto aos adeptos do caos.
Não seria mais óbvio, mais sábio e mais ético que demissionários fizessem um “mea culpa”, analisando onde e como erraram, para procurar um novo emprego fazendo melhor?
Publicado na edição nº 9768, dos dias 6 e 7 de novembro de 2014.




