

Trinta anos depois do primeiro telefonema que mudou o terror moderno, Pânico 7 chega aos cinemas brasileiros celebrando a força de uma das franquias mais lucrativas e influentes do gênero. Com sessões de pré-estreia na quarta (25) e estreia oficial na quinta-feira (26), o novo capítulo não apenas homenageia seu legado como reafirma: Pânico segue vivo, e com fôlego para continuar.
A grande força desta sétima parte está no retorno de Neve Campbell como Sidney Prescott, ausente no sexto filme (2023). Aqui, Sidney reassume o protagonismo com autoridade. E não é apenas retorno simbólico: ela tem tempo de tela, presença dramática e cenas que reforçam porque se tornou um dos maiores ícones femininos do horror. É uma homenagem justa à personagem que sobrevive há três décadas ao Ghostface, e que, desta vez, é o alvo central novamente.
O novo Ghostface surge ainda mais determinado, movido por uma obsessão que carrega o peso histórico da franquia. A tensão funciona. A direção demonstra competência na construção do horror, equilibrando nostalgia e brutalidade. As mortes são bem coreografadas, sangrentas na medida certa e tecnicamente bem executadas. Há cuidado estético, ritmo e um entendimento claro do que faz Pânico funcionar.
A cena de abertura é impactante, como manda a tradição da saga. Há referências claras aos filmes anteriores, funcionando como uma carta de amor aos 30 anos da franquia. Os sustos são eficientes, bem colocados, sem exageros caricatos, arrancando legítimos pulos da cadeira.
Outro ponto alto é a entrada triunfal de Courteney Cox como Gale Weathers, a única atriz presente nos sete filmes da franquia. Sua primeira cena é uma das melhores do longa, reafirmando a importância histórica da personagem. Ainda assim, fica a sensação de que Gale merecia mais tempo de tela, especialmente em um filme comemorativo. A ausência de uma grande sequência de perseguição envolvendo a jornalista, marca registrada da saga, é sentida.
A dinâmica entre Sidney e Gale funciona como uma nova (e clássica) dupla de enfrentamento ao mascarado. Há química, há peso emocional e há a consciência de que aquelas mulheres carregam três décadas de sobrevivência nas costas.
A novidade dramática fica por conta de Tatum, filha de Sidney, interpretada por Isabel May. A jovem segura o enredo com firmeza e sustenta bem o título simbólico que carrega: ela é filha de Sidney Prescott. Sua presença adiciona uma camada geracional interessante, expandindo as possibilidades futuras da franquia.
Se há um ponto menos impactante, ele está no terceiro ato. A revelação dos Ghostfaces da vez possui justificativa narrativa coerente, mas carece de impacto. Não é uma solução ruim, apenas menos surpreendente quando comparada a outros desfechos memoráveis da saga. Falta aquele choque definitivo que costuma redefinir o jogo.
Ainda assim, o saldo é extremamente positivo. Pânico 7 entende seu passado, respeita suas protagonistas e projeta futuro. A franquia prova que não depende apenas de nostalgia, ela evolui, se reinventa e mantém sua identidade metalinguística viva.
Trinta anos depois, o telefone toca novamente. E a gente continua atendendo.
Publicado na edição 10.989, quarta, quinta e sexta-feira, 25, 26 e 27 de fevereiro de 2026 – Ano 101




