Só nós! E eles nada?

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Antonio Carlos Álvares da Silva

Neste mês, o noticiário foi dominado pelo esforço do governo, ou melhor, por parte dele, para aprovar o ajuste fiscal das contas públicas. Com esse ajuste, o ministro da Fazenda Joaquim Levy, tenta diminuir o déficit público, restaurar a confiança dos empresários e investidores e criar condições mínimas, para que o país volte a crescer. A resistência a esse ajuste tem sido grande. Parte do PT e os sindicatos são contra. O mesmo tem acontecido com o PSDB e outros partidos da oposição. Todos eles deixam de lado o interesse público e visam apenas objetivos eleitorais imediatos. De outro lado, muitos grupos aprovam o ajuste, desde que não atinja os seus interesses próprios. Os exemplos estão aí, para quem quiser ver. O presidente do STF, Ricardo Levandowski, mandou proposta para a Câmara dos Deputados, para incluir no orçamento verba para o novo reajuste salarial aos magistrados e todos os serventuários da Justiça, do primeiro ao último escalão. São bilhões de reais. O argumento usado é a única coisa pobre, que um ministro do STF exibe. Ele disse “Quem não precisa pagar o supermercado, já que houve aumento de preços dos produtos?” (Estadão, 20-5-15 A-3) Um funcionário, que ganha 30 mil reais por mês, fora os benefícios adicionais (carro com motorista, auxílio moradia, adicional de substituição, licença prêmio, etc.) falar em preocupação com o valor de gastos em supermercado, assemelha-se a uma bofetada na cara, de quem ganha dez vezes menos e vai suportar os efeitos do ajuste. O pior desse pedido de reajuste, serão de equiparação de várias outras categorias, sob o argumento de isonomia. Aliás, os advogados da Advocacia Geral da União, os Procuradores da Fazenda e do Banco Central (São mais de 9 mil) estão reivindicando equiparação salarial com os ministros do STF. Esses advogados recebem R$17,3 mil em início de carreira, fora os demais benefícios. Paralela reivindicação está sendo feita por Delegados da Polícia Federal, membros do Ministério Público e outras categorias. Eles se estendem aos demais serventuários. São os príncipes do funcionalismo, querendo enfeitar os seus pequenos reinados. Aliás, a maioria deles não está preocupada com os limites do orçamento, em baixa pela estagnação da economia e do contínuo aumento das despesas do governo. Eles fazem de tudo para não considerar outras vantagens, que tornam a classe privilegiada. Têm estabilidade no cargo e se aposentam com salários integrais. Isto é, não precisam poupar, como os demais mortais dos brasileiros. Se faltar dinheiro , para os demais, o problema é alheio. E o Brasil como é que fica?
Ora, o Brasil e a maioria, que se ardam!

(Colaboração de Antonio Carlos Álvares da Silva, advogado bebedourense).