Sociedade Operária Beneficente: uma associação de trabalhadores bebedourenses

José Pedro Toniosso

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Brincadeira dançante no salão da Sociedade Operária Beneficente, abrilhantada por músicos bebedourenses, durante a VIII Semana do Estudante, em 1969. Foto: acervo do autor

“Acaba de fundar-se nesta cidade uma associação operária, com fim de caridade, que tomou o nome que nos serve de epígrafe”. Foi por meio desta nota que o jornal “A Vanguarda” comunicou a seus leitores sobre o surgimento da Sociedade Operária Beneficente – SOB, em 17 de setembro de 1922 e que por mais de cinquenta anos marcou a história bebedourense.

A primeira diretoria foi assim formada: Conselho deliberativo: Alfredo Carmo, Virgílio Lopes e Antônio Bignardi; 1º secretário, Pedro de Oliva; 2º secretário, Manoel Ferreira; tesoureiro, Raymundo Milton; contador, Antônio Moreira.

Nos primeiros anos, os eventos promovidos pela entidade foram realizados em endereços diversos, tendo em vista a inexistência de uma sede própria. No início da década de 1930, a diretoria se empenhou para obter recursos que viabilizassem a edificação de um prédio, que veio a ser inaugurado em 1º de maio de 1935, Dia do Trabalhador.

Na referida data foi organizada programação especial, que incluiu alvorada promovida pela Banda Municipal, seguida de desfile nas ruas centrais com participação do Tiro de Guerra e alunos do Ginásio Municipal. No período da tarde aconteceu a inauguração da sede social da SOB, situada na então denominada rua da Independência (atual Lucas Evangelista), no. 652.

Após o corte da fita simbólica pela jovem Clotilde Caputo, teve início a sessão solene que contou com vários oradores, como o professor Franco Júnior, o farmacêutico Francisco Dantas Filho e o jornalista Alberto Rheda. À noite foi realizado um grandioso baile, o primeiro dos inúmeros que foram realizados naquele local.

Destaca-se que a década de 1930 foi de expressiva atuação da SOB, tendo em vista a política trabalhista do presidente Getúlio Vargas. Naquele contexto, entre outros eventos, houve a inauguração de um quadro de Vargas, solenidade que teve início na Prefeitura com a entrega da obra pelo prefeito Antônio Alves de Toledo à SOB. Na sequência, formou-se um cortejo que desfilou pelas principais ruas até a sede da entidade, onde operários e populares participaram da sessão solene que incluiu muitas loas ao líder trabalhista nacional.

No entanto, já na década de 1940, durante a ditadura do Estado Novo, as atividades da Sociedade Operária foram suspensas pelo Departamento Estadual de Imprensa e Propaganda, pois a entidade deveria possuir no seu quadro de associados exclusivamente trabalhadores, o que então não acontecia. Posteriormente, com a regularização do estatuto social, voltou a funcionar regularmente.

Em 1972, ano de seu cinquentenário, a SOB realizou a posse da nova diretoria, assim constituída: Presidente de Honra, Sérgio Sessa Stamato; Presidente, Vicente Paulo Fernandes de Barros; Vice-presidente, Wilson Ribeiro de Souza; Secretário Geral, Marco Antônio Martins; 1º Secretário, Antônio Carlos Faria de Moraes; 2º Secretário, Gil Alves de Azevedo; 1º Tesoureiro, Antônio Magosso Filho; 2º Tesoureiro, Carlos Alberto Triveloni; Diretor Social; João José Galante; Diretor de Esportes, Elierte José Postilione. No Conselho Deliberativo, Constantino Piffer Júnior, Odilon Januário da Costa, Sérgio Jesus Pedroso, Aymar Alli, Julien Mutton, Antônio Minholo e Jair Franco da Silva; sendo suplente, João Antônio de Paula.

No decorrer de sua trajetória a SOB marcou presença pelo trabalho assistencial desenvolvido ao quadro associativo, além dos diversos eventos realizados para sócios e comunidade em geral, incluindo bailes, carnavais, festas, brincadeiras dançantes e outros. Significativa foi sua participação nos tradicionais carnavais de rua realizados na região central da cidade, desde 1966, quando desfilou pela primeira vez com blocos de fantasia, carro alegórico e escola de samba, até meados da década seguinte.

No início dos anos de 1980, a entidade enfrentava muita dificuldade para manter-se em funcionamento devido à redução do número de associados. Em 1985, a sede da Câmara Municipal entrou em reformas e por isso transferiu suas instalações para o prédio da SOB, onde passou a funcionar provisoriamente. No entanto, com o encerramento das atividades da Sociedade Operária Beneficente, a Câmara permaneceu no local e este passou a ser o endereço definitivo do Poder Legislativo, que nos anos seguintes promoveu várias reformas na fachada e no interior do prédio.

(Colaboração de José Pedro Toniosso, professor e historiador bebedourense,

www.bebedourohistoriaememoria.com.br).

Publicado na edição 10.981 Sábado a terça-feira, 24 a 27 de janeiro de 2026 – Ano 101