

Nascido na cidade paulista de Rincão em 12 de outubro de 1919, Stélio Machado Loureiro era filho de Lázaro Loureiro e de Marphiza Machado Loureiro. Criado em Bebedouro, onde sua família residia, concluiu os estudos primários no Grupo Escolar Abílio Manoel em 1930 e, após ser aprovado no exame de admissão, fez o curso secundário no antigo Ginásio Municipal.
Deu continuidade aos estudos na Escola Normal de Campinas e após ser diplomado como professor, retornou a Bebedouro, onde lecionou entre 1941 e 1945 no Ginásio Municipal, assumindo as cadeiras de História, Francês e Português, além de atuar como orientador educacional.
Ainda jovem, Stélio dedicou-se à escrita de poesias, cartas e crônicas, publicadas inicialmente em contextos escolares e jornais locais. Ao deixar o campo da educação, profissionalizou-se como jornalista e, a partir de 1947, integrou a equipe dos Diários Associados, chegando ao cargo de chefe da seção do interior do jornal Diário de São Paulo. Na mesma época, envolveu-se na produção do livro História da História do Brasil, obra que, infelizmente, não chegou a ser finalizada para publicação.
No início da década de 1950, tornou-se voz ativa no movimento municipalista paulista. Defensor do fortalecimento das forças locais como motor do desenvolvimento das cidades interioranas, foi o responsável pela fundação da Associação Paulista de Municípios. Em Bebedouro, já havia contribuído em 1949, para a fundação da Associação Amigos do Município, entidade voltada ao apoio ao poder público no progresso local.
Sua dedicação à causa municipalista o levou ao Palácio do Governo do Estado de São Paulo, onde, a convite do governador Jânio Quadros, assumiu a chefia do Serviço de Assistência aos Municípios.
Sua trajetória promissora foi tragicamente interrompida em 19 de dezembro de 1955, aos 36 anos. Stélio foi vitimado pelas águas do Rio Paraná enquanto se dirigia a uma missa campal no local onde seria instalada a Usina de Urubupungá. A embarcação em que estava virou e seu corpo jamais foi encontrado.
A tragédia pessoal foi profunda: Stélio deixou a esposa, Dora Macedo Loureiro, e cinco filhas. Na data do ocorrido, Dora estava grávida; o filho caçula nasceu apenas um mês após o falecimento do pai e, em sua homenagem, também recebeu o nome de Stélio.
O falecimento causou grande consternação em todo o estado, especialmente em Bebedouro, onde sua família era tradicional e muito estimada, além do expressivo trabalho desenvolvido junto à comunidade local.
Entre seus legados na cidade, destaca-se o empenho pela regularização da Escola Estadual Artesanal. O estabelecimento, criado em 1948 como Curso Prático de Ensino Profissional, teve seu prédio construído apenas em 1953, iniciando as atividades de ajustagem mecânica no ano seguinte.
Em reconhecimento ao seu trabalho, e a pedido das lideranças políticas locais, o Governo do Estado publicou, em 30 de dezembro de 1955, o Decreto que definiu o Prof. Stélio Machado Loureiro como patrono da Escola Artesanal, atualmente Escola Municipal de Educação Básica – Emeb.
A homenagem ecoou por diversas cidades paulistas: em Birigui, seu nome batizou o Colégio e Escola Normal Estadual, no presente a Escola Estadual Prof. Stélio Machado Loureiro. Além disso, mais de duas dezenas de municípios — como Araraquara, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Santo André e São Vicente — possuem logradouros que imortalizam a memória do mestre e jornalista Stélio Machado Loureiro.
(Colaboração de José Pedro Toniosso, professor e historiador bebedourense,
www.bebedourohistoriaememoria.com.br).
Publicado na edição 10.996 Sábado a sexta-feira, 21 a 27 de março de 2026 -Ano 101




