
No contexto dos festivais de MPB – Música Popular Brasileira – promovidos pelas principais emissoras de televisão no final da década de 1960, os bebedourenses acompanharam a realização dos concursos “A mais bela voz” e “A mais bela voz colegial”, ambos organizados pela Rádio Bebedouro e Secretaria Municipal de Turismo no ano de 1969, conforme publicado em artigos anteriores desta coluna.
Continuamente, nova oportunidade surgiu para os artistas musicais bebedourenses com o anúncio da realização em dezembro do II Festival Barretense de Música Popular, nas dependências do Cine Centenário de Barretos. Concluídas as inscrições, chegou-se ao número de 83 músicas, e entre as selecionadas para a semifinal, cinco eram composições de bebedourenses: “Folia de Reis”, composição de Alny Antônio Guimarães e Zairo Marinozo; “Maria que passa”, de Alny A. Guimarães e Jorge Costa; “Nega do meu samba” (sic), de Alny A. Guimarães e Benedito Ribeiro (Mau-Mau); “Rosas” e “Nasceu a Alegria”, ambas compostas pela dupla João Cavalheiro e Abel Ferreira, sendo que quatro destas seguiram para a finalíssima, juntamente com outras dez concorrentes.
Grande caravana de bebedourenses seguiu para Barretos no dia da final, a fim de prestigiar e torcer por seus artistas. Feitas as apresentações de todos os concorrentes, foram anunciados os vitoriosos diante do grande público que lotou as dependências do local do evento, e entre os cinco primeiros lugares, três eram de Bebedouro.
O primeiro lugar coube à composição “Nega do meu samba” (sic), defendida pelo cantor Mau-Mau que, inclusive, foi proclamado o melhor intérprete do certame, fazendo jus ao prêmio de uma abotoadura de ouro e 200 cruzeiros novos. Em terceiro lugar, empatadas, sagraram-se as canções “Folia de Reis” e “Maria que passa”, cabendo a cantores barretenses o segundo e o quarto lugares.
Todos os vencedores foram premiados com troféus, além dos seguintes valores em dinheiro: primeiro colocado, mil cruzeiros novos; segundo, quinhentos cruzeiros novos; terceiro, trezentos cruzeiros novos; e quarto, duzentos cruzeiros novos. Destaca-se que além dos compositores e intérpretes, por parte de Bebedouro também subiram ao palco, entre outros, o músico Tonzinho; o Coral Bebedourense regido pelo maestro Pedro Pelegrino; os sambistas e dançarinas da Escola de Samba da Sociedade Recreativa José do Patrocínio.
Para comandar a significativa vitória dos bebedourenses, a partir da iniciativa do prefeito municipal Hércules Pereira Hortal, foi organizada uma sessão homenagem no auditório do Instituto de Educação Dr, Paraíso Cavalcanti na noite de 29 de dezembro, com apresentação das cinco músicas vencedoras do Festival, incluindo os artistas bebedourenses e barretenses.
O evento foi marcado por apresentações musicais, a começar pelo conjunto barretense “Night and Day” e seguido pelo Coral do Maestro Pedro Pelegrino. Aconteceram também diversas homenagens a cidadãos das duas cidades, incluindo autoridades, membros da imprensa e os músicos vitoriosos, sendo que na sequência as respectivas músicas foram apresentadas ao grandioso público presente no local.
Os bebedourenses vencedores do festival:
Alny Antônio Guimarães: filho de Joaquim Alves Guimarães, prefeito no período entre 1942 e 1946, e de Clotilde Caldeira Cardoso Guimarães, foi serventuário do Cartório de Registro Civil e diretor da Secretaria Municipal de Turismo, tendo participado da organização de diversos eventos culturais, como desfiles de carnaval e a I Feccib. Autor de músicas populares, viu várias de suas composições serem apresentadas em concursos e festivais, incluindo o de Barretos, em 1969. Faleceu em 22 de dezembro de 1976, com apenas 52 anos.
João Benedito Ribeiro (Mau-Mau): bastante conhecido no cenário musical bebedourense, como compositor e intérprete de músicas de vários ritmos, principalmente samba. Tornou-se conhecido após marcante participação no concurso “A mais bela voz” e do Festival de MPB de Barretos, ambos em 1969. Em 1975 gravou o LP “Sambalançando”, com 12 músicas, sendo algumas de sua autoria. Posteriormente, em 1985, com o nome artístico de Bene Brasil, gravou o compacto duplo “O moço da cruz”, com quatro composições.
(Colaboração de José Pedro Toniosso, professor e historiador bebedourense,
www.bebedourohistoriaememoria.com.br).
Publicado na edição 10.953 de sábado a terça-feira, 20 a 23 de setembro de 2025 – Ano 101





