Tony Ramos se despede em cena impactante, e direção de Dona de Mim brilha mais uma vez

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Direção primorosa - Acidente marca despedida de Abel (Tony Ramos) e Rebeca (Silvia Pfeifer) em Dona de Mim. Um dos momentos mais impactantes da novela das 7, que reforça a força da trama e da direção artística de Allan Fiterman.Foto (Reprodução/Internet)

Apesar de não repetir, até o momento, os mesmos índices de audiência de sucessos anteriores, a novela ‘Dona de Mim’, escrita por Rosane Svartman, mantém intacta a marca registrada da autora: tramas bem costuradas, personagens complexos e emoção em cena. A audiência, vale lembrar, nem sempre é o melhor termômetro de qualidade. Que o diga ‘Vai na Fé’, também de Svartman, que demorou a engrenar e, ao final, chegou a superar a novela das 21h em alguns momentos, além de conquistar crítica e público com seu desfecho.

No capítulo exibido na terça-feira (5), Dona de Mim entregou um dos momentos mais impactantes da teledramaturgia recente: a morte do personagem Abel, vivido com maestria por Tony Ramos. A sequência do acidente que tirou a vida do personagem foi conduzida com precisão técnica e sensibilidade narrativa, coroando o trabalho da direção artística de Allan Fiterman. Ao lado de Abel, estava Rebeca, interpretada por Silvia Pfeifer, outro nome de peso que engrandeceu a novela com sua presença elegante e interpretação segura. Ver Silvia de volta às novelas da Globo é um presente ao telespectador, e uma lembrança do quanto ela faz falta em papéis de destaque.

Rosane Svartman soube, como poucos autores sabem, aproveitar os talentos de Ramos e Pfeifer durante 80 capítulos. Ao invés de apenas figuras ilustrativas, os dois veteranos tiveram espaço, relevância e diálogos que engrandecem a trama. Com a saída de seus personagens, uma nova fase se desenha. A família de Abel, a pequena Sofia e a protagonista Léo passam a ter seus destinos reconfigurados, em reviravoltas que seguem a lógica interna da narrativa, sem atropelos, com cada passo bem articulado.

A cena do acidente foi, por si só, um capítulo à parte. A direção de Fiterman, já consagrada em trabalhos como ‘Mar do Sertão’, ‘No Rancho Fundo’ e a elogiada ‘Quanto Mais Vida, Melhor!’, mostrou, mais uma vez, seu domínio técnico. Os efeitos visuais foram usados com parcimônia e impacto: um acidente de novela como há muito não se via na televisão. A sequência final com Abel relembrando sua trajetória de vida foi emocionante, sensível e comovente. Tony Ramos entrega, novamente, uma atuação memorável, e isso em si já seria suficiente para tornar o momento inesquecível.

A cena termina com o carro sendo atingido por um ônibus e arremessado ao mar, com uma pancada seca contra as pedras antes de afundar. Um final cinematográfico, amparado por uma edição impecável e trilha sonora pontual. A perda de dois personagens importantes poderia ser uma quebra de ritmo, mas em Dona de Mim é o oposto: marca o ponto de virada, abre novas possibilidades e reafirma que estamos diante de um verdadeiro novelão.

Mais do que números no Ibope, a novela das 19h da Globo entrega o que realmente importa: dramaturgia de qualidade, elenco afinado, direção competente e emoção genuína. E isso, felizmente, ainda vale muito.

Publicado na edição 10.943, de sábado a sexta-feira, 9 a 15 de agosto de 2025 – Ano 101