Um aperto de mão bem apertado

Wagner Zaparoli

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A partir da meia-idade, o envelhecimento provoca uma diminuição da massa muscular de cerca de 1% ao ano. Isso mesmo, meu querido leitor, você não leu errado, 1% ao ano! Com isso, podemos chegar aos 80 anos com até 50% da nossa massa muscular total perdida.
Quem afirma é Adam Taylor, professor de anatomia da Lancaster University, no Reino Unido. E ele não está sozinho — inúmeros outros pesquisadores também destacam a perda muscular como um dos principais fatores que dificultam a estabilidade do organismo ao longo da vida, especialmente diante de doenças, sejam elas pontuais ou crônicas.
E a lista é longa: vai do diabetes à pneumonia, passando pelo câncer e chegando às doenças degenerativas do cérebro — só para citar as mais conhecidas.

Um dos aspectos mais interessantes e recentes sobre o tema sugere que a força de um simples aperto de mão pode revelar muito sobre a nossa saúde. Sim, estou falando daquele aperto de mão despretensioso, típico ao cumprimentar alguém de passagem. E essa história é bem interessante. Venha comigo!

 

A importância crescente

A história da medicina registra que a força de preensão manual (FPM) — que aqui associamos, de forma simples, ao aperto de mão — começou a ser utilizada no início do século XX, entre as décadas de 1910 e 1930. Naquele período, era aplicada em avaliações físicas rudimentares, especialmente em contextos militares, ocupacionais e esportivos, sendo vista principalmente como um indicador de vigor físico geral.

Já entre as décadas de 1940 e 1970, pesquisadores das áreas de fisiologia, geriatria e nutrição passaram a estudar a FPM no contexto do envelhecimento, observando sua relação com o declínio funcional associado à idade. Alguns estudos identificavam a fraqueza muscular como um fator ligado à incapacidade funcional, enquanto outros destacavam a FPM como um parâmetro relevante na avaliação do estado nutricional, especialmente em pacientes hospitalizados ou com doenças crônicas.

A partir da década de 1980, a FPM começou a ganhar destaque como ferramenta na predição de desfechos clínicos importantes, como mortalidade, hospitalização e declínio funcional. Nos anos 2000, seu uso se consolidou em estudos longitudinais sobre o envelhecimento, sendo cada vez mais reconhecida como um marcador confiável de fragilidade, estado nutricional, risco cardiovascular, recuperação pós-cirúrgica e capacidade do organismo de enfrentar doenças agudas e crônicas.

 

Biomarcadores fundamentais

Embora seja fácil imaginar que a falta de força no aperto das mãos traga apenas pequenas consequências no dia a dia — como dificuldades para abrir potes ou latas, por exemplo —, no contexto da saúde, essa limitação pode representar um problema sério e muitas vezes invisível.

Mark Peterson, professor de reabilitação e medicina física da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, conduziu em 2022 um estudo com 1.275 pessoas, avaliando a força do aperto de mão e cruzando os resultados com análises de DNA de cada participante. As conclusões indicaram que indivíduos com menor força de preensão apresentavam sinais de envelhecimento acelerado.

Outras pesquisas, desta vez com pacientes com câncer, chegaram a resultados semelhantes, demonstrando que pessoas com menor força de preensão são mais propensas a sofrer perda de peso, perda severa de massa muscular e de gordura corporal, mesmo mantendo uma dieta equilibrada — o que está associado a prognósticos de sobrevivência menos favoráveis.

Peterson também destaca que o risco de morte por pneumonia é maior entre aqueles com baixa força de preensão. Segundo ele, isso faz sentido, já que é necessário ter boa saúde muscular para eliminar adequadamente a expectoração das vias aéreas.

 

Ação indispensável

Embora estejamos tratando de impactos geralmente associados à meia-idade ou à velhice, a baixa força de preensão manual também pode afetar jovens e adolescentes. Um estudo realizado no Brasil em 2021, conduzido por Mateus Augusto Bim e sua equipe, avaliou quase mil adolescentes com idades entre 15 e 18 anos e apresentou resultados alarmantes: seis em cada dez apresentavam níveis reduzidos de força de preensão manual, em grande parte por passarem longos períodos diante das telas.

Se nossos jovens já enfrentam uma verdadeira pandemia de sobrepeso, também estão inseridos em um cenário preocupante de fragilidade muscular precoce.

E a pergunta que fica é: como mudar essa situação?

Meu querido leitor, depois de mergulhar em diversos estudos e pesquisas, posso afirmar que a única “fórmula mágica” para conquistar um aperto de mão bem apertado é movimentar-se. Talvez isso não seja novidade para você — e certamente não é um segredo —, mas vale a insistência.

Para os entusiastas do movimento, segue um texto com boas sugestões para o ganho de massa muscular: Como ganhar músculos de forma eficaz – BBC. Confira!

Publicado na edição 10.933, quarta, quinta e sexta-feira, 2, 3 e 4 de julho de 2025 – Ano 101