Um monumento em memória dos trabalhadores rurais mortos em acidente

Um monumento em memória dos trabalhadores rurais mortos em acidente

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Em homenagem aos 20 trabalhadores rurais falecidos em acidente rodoviário em abril de 1982, o monumento foi instalado na Praça Olímpio Alves Kobal, no Jardim Cláudia. Em homenagem aos 20 trabalhadores rurais falecidos em acidente rodoviário em abril de 1982, o monumento foi instalado na Praça Olímpio Alves Kobal, no Jardim Cláudia. Em homenagem aos 20 trabalhadores rurais falecidos em acidente rodoviário em abril de 1982, o monumento foi instalado na Praça Olímpio Alves Kobal, no Jardim Cláudia. Em homenagem aos 20 trabalhadores rurais falecidos em acidente rodoviário em abril de 1982, o monumento foi instalado na Praça Olímpio Alves Kobal, no Jardim Cláudia. Em homenagem aos 20 trabalhadores rurais falecidos em acidente rodoviário em abril de 1982, o monumento foi instalado na Praça Olímpio Alves Kobal, no Jardim Cláudia. Foto: acervo do autor

Acordam geralmente por volta das 5 horas da manhã e se preparam para ir ao ponto onde a condução os levará até o local de trabalho, com saída entre 6h e 7h, em transporte custeado pelo empreiteiro ou fazendeiro. Viajam na carroceria de caminhões, conhecidos como “pau-de-arara”, que não dispõem de nenhuma proteção, no máximo uma cobertura de lona para evitar o sol ou chuvas eventuais, sentados em tábuas que servem como bancos improvisados. Levam de casa a comida do almoço, geralmente em marmitas, que são consumidas frias durante a jornada de trabalho, razão pela qual ficaram conhecidos como “boias-frias”.

Conforme pesquisa realizada por Fátima Rotundo da Silveira junto ao Departamento de Geografia da USP, esta era resumidamente a rotina de milhares de trabalhadores rurais temporários que predominavam em Bebedouro no início da década de 1980, no auge da citricultura. Muitos eram moradores da zona rural e se mudaram para a cidade, enquanto outros eram migrantes de outras cidades paulistas ou de outros estados, residiam em condições precárias em bairros periféricos.

Tinham pouca ou nenhuma escolaridade, muitos eram analfabetos, além de não possuírem qualificação profissional, o que resultava em salários exíguos, exigindo que as mulheres e os filhos, inclusive menores de 14 anos, também fossem incluídos neste tipo de trabalho.

Esse triste cenário, que persistiu por vários anos, foi abalado por um grave acidente ocorrido em 12 de abril de 1982, por volta das 20h, na Rodovia Comendador Pedro Monteleone, nas proximidades de Pirangi, quando o caminhão “pau-de-arara” que transportava 41 trabalhadores “boias-frias” teria sofrido um curto-circuito e desgovernado, despencou em uma ribanceira.

Como resultado do acidente, houve a morte de 20 trabalhadores, todos residentes em Bebedouro, enquanto os demais precisaram ser socorridos na Santa Casa e no Hospital Júlia Pinto Caldeira de Bebedouro, além de hospitais de cidades vizinhas, como Catanduva, Monte Alto e Ribeirão Preto. Dada à gravidade do acidente, o veículo teve perda total.

O poder público e a sociedade civil se mobilizaram para atender as necessidades imediatas dos acidentados e seus familiares, sendo realizada no dia seguinte ao acidente uma reunião no Serviço de Obras Sociais – SOS, com a participação de representantes de diversas entidades e associações.

O fato gerou grande repercussão e equipes de reportagem de emissoras de televisão e de jornais de alcance nacional estiveram na cidade. Dias depois, após uma missa de réquiem na Igreja Matriz, concelebrada pelos padres de todas as paróquias de Bebedouro, aconteceu na Concha Acústica uma manifestação dos trabalhadores rurais em protesto às péssimas condições de transporte a que eram submetidos.

De imediato, houve intensificação na fiscalização dos veículos utilizados e reuniões com empregadores, empreiteiros, proprietários rurais e outros envolvidos, visando a conscientização sobre a necessidade de melhorias no transporte. No campo jurídico, o processo envolveu três etapas: indenização das vítimas, obtenção de pensão e ação indenizatória contra a empresa Frutesp, empregadora dos acidentados.

Cerca de vinte anos depois, no início da década de 2000, no mandato do prefeito Davi Perez Aguiar, ocorreu a instalação de monumento na Praça Olímpio Alves Kobal, no Jardim Cláudia, no qual se lê: “Homenagem aos Trabalhadores Rurais falecidos no acidente rodoviário em abril de 1982”. Constituído de uma grande placa de mármore preto, na qual consta uma cruz branca estilizada, foi inserido o seguinte trecho do poema “Morte e Vida Severina”, de João Cabral de Melo Neto: “Esta cova em que estás, com palmos medida. É a conta menor que tiraste em vida”.

Para que não sejam esquecidos, foram registrados no monumento os nomes de todas as vítimas fatais: Aparecido Neves Monteiro, Benedito Aparecido de Oliveira, Cláudio Fidelis, Davino Venâncio, Dirce Fidelis, Geni de Oliveira Mendes, Edmar Augusto Rosa, João Roberto Delfino, Jones Nunes Garcia, José Garcia, Luiz Carlos Fidelis, Luiz Soares, Marlene Lourdes Scavone, Militão Bezerra, Nadir Bezerra Pereira, Nair Scavone Costa, Nicole Monteli Nascimento, Sérgio Gonçalves, Valmir Luiz da Silva, Família Magalhães (sepultada em Monte Azul Paulista).

Acordam geralmente por volta das 5 horas da manhã e se preparam para ir ao ponto onde a condução os levará até o local de trabalho, com saída entre 6h e 7h, em transporte custeado pelo empreiteiro ou fazendeiro. Viajam na carroceria de caminhões, conhecidos como “pau-de-arara”, que não dispõem de nenhuma proteção, no máximo uma cobertura de lona para evitar o sol ou chuvas eventuais, sentados em tábuas que servem como bancos improvisados. Levam de casa a comida do almoço, geralmente em marmitas, que são consumidas frias durante a jornada de trabalho, razão pela qual ficaram conhecidos como “boias-frias”.

Conforme pesquisa realizada por Fátima Rotundo da Silveira junto ao Departamento de Geografia da USP, esta era resumidamente a rotina de milhares de trabalhadores rurais temporários que predominavam em Bebedouro no início da década de 1980, no auge da citricultura. Muitos eram moradores da zona rural e se mudaram para a cidade, enquanto outros eram migrantes de outras cidades paulistas ou de outros estados, residiam em condições precárias em bairros periféricos.

Tinham pouca ou nenhuma escolaridade, muitos eram analfabetos, além de não possuírem qualificação profissional, o que resultava em salários exíguos, exigindo que as mulheres e os filhos, inclusive menores de 14 anos, também fossem incluídos neste tipo de trabalho.

Esse triste cenário, que persistiu por vários anos, foi abalado por um grave acidente ocorrido em 12 de abril de 1982, por volta das 20h, na Rodovia Comendador Pedro Monteleone, nas proximidades de Pirangi, quando o caminhão “pau-de-arara” que transportava 41 trabalhadores “boias-frias” teria sofrido um curto-circuito e desgovernado, despencou em uma ribanceira.

Como resultado do acidente, houve a morte de 20 trabalhadores, todos residentes em Bebedouro, enquanto os demais precisaram ser socorridos na Santa Casa e no Hospital Júlia Pinto Caldeira de Bebedouro, além de hospitais de cidades vizinhas, como Catanduva, Monte Alto e Ribeirão Preto. Dada à gravidade do acidente, o veículo teve perda total.

O poder público e a sociedade civil se mobilizaram para atender as necessidades imediatas dos acidentados e seus familiares, sendo realizada no dia seguinte ao acidente uma reunião no Serviço de Obras Sociais – SOS, com a participação de representantes de diversas entidades e associações.

O fato gerou grande repercussão e equipes de reportagem de emissoras de televisão e de jornais de alcance nacional estiveram na cidade. Dias depois, após uma missa de réquiem na Igreja Matriz, concelebrada pelos padres de todas as paróquias de Bebedouro, aconteceu na Concha Acústica uma manifestação dos trabalhadores rurais em protesto às péssimas condições de transporte a que eram submetidos.

De imediato, houve intensificação na fiscalização dos veículos utilizados e reuniões com empregadores, empreiteiros, proprietários rurais e outros envolvidos, visando a conscientização sobre a necessidade de melhorias no transporte. No campo jurídico, o processo envolveu três etapas: indenização das vítimas, obtenção de pensão e ação indenizatória contra a empresa Frutesp, empregadora dos acidentados.

Cerca de vinte anos depois, no início da década de 2000, no mandato do prefeito Davi Perez Aguiar, ocorreu a instalação de monumento na Praça Olímpio Alves Kobal, no Jardim Cláudia, no qual se lê: “Homenagem aos Trabalhadores Rurais falecidos no acidente rodoviário em abril de 1982”. Constituído de uma grande placa de mármore preto, na qual consta uma cruz branca estilizada, foi inserido o seguinte trecho do poema “Morte e Vida Severina”, de João Cabral de Melo Neto: “Esta cova em que estás, com palmos medida. É a conta menor que tiraste em vida”.

Para que não sejam esquecidos, foram registrados no monumento os nomes de todas as vítimas fatais: Aparecido Neves Monteiro, Benedito Aparecido de Oliveira, Cláudio Fidelis, Davino Venâncio, Dirce Fidelis, Geni de Oliveira Mendes, Edmar Augusto Rosa, João Roberto Delfino, Jones Nunes Garcia, José Garcia, Luiz Carlos Fidelis, Luiz Soares, Marlene Lourdes Scavone, Militão Bezerra, Nadir Bezerra Pereira, Nair Scavone Costa, Nicole Monteli Nascimento, Sérgio Gonçalves, Valmir Luiz da Silva, Família Magalhães (sepultada em Monte Azul Paulista).

Acordam geralmente por volta das 5 horas da manhã e se preparam para ir ao ponto onde a condução os levará até o local de trabalho, com saída entre 6h e 7h, em transporte custeado pelo empreiteiro ou fazendeiro. Viajam na carroceria de caminhões, conhecidos como “pau-de-arara”, que não dispõem de nenhuma proteção, no máximo uma cobertura de lona para evitar o sol ou chuvas eventuais, sentados em tábuas que servem como bancos improvisados. Levam de casa a comida do almoço, geralmente em marmitas, que são consumidas frias durante a jornada de trabalho, razão pela qual ficaram conhecidos como “boias-frias”.

Conforme pesquisa realizada por Fátima Rotundo da Silveira junto ao Departamento de Geografia da USP, esta era resumidamente a rotina de milhares de trabalhadores rurais temporários que predominavam em Bebedouro no início da década de 1980, no auge da citricultura. Muitos eram moradores da zona rural e se mudaram para a cidade, enquanto outros eram migrantes de outras cidades paulistas ou de outros estados, residiam em condições precárias em bairros periféricos.

Tinham pouca ou nenhuma escolaridade, muitos eram analfabetos, além de não possuírem qualificação profissional, o que resultava em salários exíguos, exigindo que as mulheres e os filhos, inclusive menores de 14 anos, também fossem incluídos neste tipo de trabalho.

Esse triste cenário, que persistiu por vários anos, foi abalado por um grave acidente ocorrido em 12 de abril de 1982, por volta das 20h, na Rodovia Comendador Pedro Monteleone, nas proximidades de Pirangi, quando o caminhão “pau-de-arara” que transportava 41 trabalhadores “boias-frias” teria sofrido um curto-circuito e desgovernado, despencou em uma ribanceira.

Como resultado do acidente, houve a morte de 20 trabalhadores, todos residentes em Bebedouro, enquanto os demais precisaram ser socorridos na Santa Casa e no Hospital Júlia Pinto Caldeira de Bebedouro, além de hospitais de cidades vizinhas, como Catanduva, Monte Alto e Ribeirão Preto. Dada à gravidade do acidente, o veículo teve perda total.

O poder público e a sociedade civil se mobilizaram para atender as necessidades imediatas dos acidentados e seus familiares, sendo realizada no dia seguinte ao acidente uma reunião no Serviço de Obras Sociais – SOS, com a participação de representantes de diversas entidades e associações.

O fato gerou grande repercussão e equipes de reportagem de emissoras de televisão e de jornais de alcance nacional estiveram na cidade. Dias depois, após uma missa de réquiem na Igreja Matriz, concelebrada pelos padres de todas as paróquias de Bebedouro, aconteceu na Concha Acústica uma manifestação dos trabalhadores rurais em protesto às péssimas condições de transporte a que eram submetidos.

De imediato, houve intensificação na fiscalização dos veículos utilizados e reuniões com empregadores, empreiteiros, proprietários rurais e outros envolvidos, visando a conscientização sobre a necessidade de melhorias no transporte. No campo jurídico, o processo envolveu três etapas: indenização das vítimas, obtenção de pensão e ação indenizatória contra a empresa Frutesp, empregadora dos acidentados.

Cerca de vinte anos depois, no início da década de 2000, no mandato do prefeito Davi Perez Aguiar, ocorreu a instalação de monumento na Praça Olímpio Alves Kobal, no Jardim Cláudia, no qual se lê: “Homenagem aos Trabalhadores Rurais falecidos no acidente rodoviário em abril de 1982”. Constituído de uma grande placa de mármore preto, na qual consta uma cruz branca estilizada, foi inserido o seguinte trecho do poema “Morte e Vida Severina”, de João Cabral de Melo Neto: “Esta cova em que estás, com palmos medida. É a conta menor que tiraste em vida”.

Para que não sejam esquecidos, foram registrados no monumento os nomes de todas as vítimas fatais: Aparecido Neves Monteiro, Benedito Aparecido de Oliveira, Cláudio Fidelis, Davino Venâncio, Dirce Fidelis, Geni de Oliveira Mendes, Edmar Augusto Rosa, João Roberto Delfino, Jones Nunes Garcia, José Garcia, Luiz Carlos Fidelis, Luiz Soares, Marlene Lourdes Scavone, Militão Bezerra, Nadir Bezerra Pereira, Nair Scavone Costa, Nicole Monteli Nascimento, Sérgio Gonçalves, Valmir Luiz da Silva, Família Magalhães (sepultada em Monte Azul Paulista).

(Colaboração de José Pedro Toniosso, professor e historiador bebedourense,

www.bebedourohistoriaememoria.com.br)

Publicado na edição 10.989, quarta, quinta e sexta-feira, 25, 26 e 27 de fevereiro de 2026 – Ano 101