Uma Câmara que perdeu oportunidades

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Vereadores deixaram escapar a chance de mostrar à população o verdadeiro papel do Poder Legislativo.

Com o fim da última sessão ordinária de 2012, praticamente terminam os mandatos de oito dos dez vereadores de Bebedouro. Apenas dois, Chanel (PDT) e Sebastiana Camargo (DEM), foram reeleitos. Não é à toa que os discursos na noite de segunda-feira (10), foram todos em tom melancólico e de despedidas.
Nos pronunciamentos, vereadores fizeram balanço dos quatro anos de seus mandatos. A maioria fez questão de falar dos ‘serviços prestados’, como ajuda para internar pessoas em clinicas de tratamento, intermediação para conseguir consultas com médicos até fora da cidade, remédios e outros favores sociais.
Porém, a imagem mais forte que fica dos vereadores junto à população é da inconstância em exercer a obrigação primeira da legislação: fiscalizar a Prefeitura.
Todas as tentativas de investigar o prefeito João Batista Bianchini (PTB), o Italiano, foram silenciosamente recusadas. Isto mesmo. Quando foi à votação os pedidos para formação das CP (comissões processantes), eles simplesmente não fizeram jus às suas obrigações. Justamente no período de maior quantidade de escândalos políticos da História de Bebedouro.
Ao mesmo tempo, a Câmara Municipal esteve em clima de festa muitos finais de semana. Foram muitas as cerimônias de entregas de títulos de cidadania e outras honrarias. Sem fazer qualquer juízo de valores sobre os merecimentos, a Câmara não pode ser lembrada apenas por isso.
É obvio que muitos vereadores, principalmente da base governista, imaginaram que nas eleições seriam reconhecidos pela lista de ‘serviços prestados’ e isto apagaria a mácula de terem protegido o prefeito a todo custo. O resultado veio nas urnas.
Que fique na mente dos ocupantes das 11 vagas do Poder Legislativo: função do vereador é fiscalizar e criar leis. O resto não faz diferença na urna e nem para o bem da população.

 

Publicado na edição n° 9486, dos dias 13 e 14 de dezembro de 2012.