

“Fica oficializada neste município a Corrida Pedestre 3 de Maio, a ser disputada pelas ruas principais da cidade, à noite.” Assim constou no Artigo 1º da Lei Municipal No 621, de 2 de dezembro de 1965, assinada pelo então prefeito, Sérgio Sessa Stamato, que regulamentou a realização do evento esportivo a partir de então.
No entanto, a competição já vinha acontecendo nas ruas da cidade dois anos antes da oficialização. Conforme noticiou a Gazeta de Bebedouro, na edição de 12 de maio de 1963, a “I Prova Pedestre 3 de maio” fora organizada pela Delegacia Regional de Educação Física e Esportes (DEFE) e pela Rádio Bebedouro, com apoio da Prefeitura Municipal, homenageando a cidade aniversariante.
A primeira edição teve cerca de cinco quilômetros, com mais de 50 inscritos, oriundos de diversas cidades do interior, os quais concorreram a troféus e medalhas. Classificaram-se nas três primeiras classificações esportistas de Araraquara, Jaboticabal e São Carlos, sendo que o bebedourense com melhor posição foi Salvador Moreira, que se classificou em 11º lugar.
No ano em que ocorreu sua oficialização, a Prova aconteceu de forma mais estruturada, sendo organizada pela Comissão Central de Esportes e com apoio da Prefeitura, DEFE, imprensa falada e escrita e das empresas Lojas Riachuelo, Ao Mustafá, Casa Thomé, Casa Progresso, Bazar São Jorge, Casa Glória e Cooperativa de Consumo Popular.
Numeroso público aplaudiu os atletas locais e de diversas cidades, inclusive da capital paulista, ao longo de todo o percurso de 4.200 metros e que teve como ponto de partida e de chegada a Esquina do Pecado (rua São João com Oscar Werneck). Houve a participação de 20 corredores, sendo que os três primeiros colocados eram todos da capital, representando o Clube Atlético Goianya e São Paulo Futebol Clube. De Bebedouro, as melhores posições foram Adão de Oliveira (5º lugar); Luiz Roberto da Silva (6º); Eduardo Alves de Toledo (7º); Aparecido Fávero (10º) e Luiz Carlos Thomaz Silva (11º).
Na edição seguinte, o evento confirmou seu prestígio e contou com a participação de representantes da Federação Paulista de Atletismo, Corinthians Paulista, Base Aérea de Cumbica, Cidade Universitária, Escola Politécnica e outras instituições, os quais tiveram que percorrer o trajeto ampliado para 6.600 metros. Novamente o atleta Adão de Oliveira foi o bebedourense mais bem colocado, ficando em 8º lugar.
Nos anos seguintes a Prova Pedestre teve continuidade com alguns ajustes no trajeto e mudança no local de partida e chegada, mas se tornou uma tradição, com número crescente de participantes da cidade e região, assim como o apoio do poder público, empresas e população em geral.
No ano de 1984 o evento recebeu nova denominação e tornou-se a “Prova Pedestre Arnaldo de Rosis Garrido”, homenageando este cidadão bebedourense que se destacou no campo político como vereador por cinco legislaturas e por duas vezes presidente da Câmara. Foi grande incentivador do esporte, inclusive desta Prova Pedestre, e atuou como presidente da Associação Atlética Internacional. Durante muitos anos, apresentou a oração da Ave Maria no final da tarde, primeiramente na Rádio Bebedouro e depois na Iguatemi FM, da qual foi um dos proprietários. Também foi colaborador da Gazeta de Bebedouro, onde publicou diversos artigos.
Com o novo nome, a prova continuou sendo realizada no mês de maio, mas não necessariamente no dia 3, mas em datas variáveis daquele mês. A edição de 1985 teve um percurso de 8.500 metros, percorrendo todo o anel viário, com saída e chegada de frente do recinto da Feccib velha, sendo acrescentadas novas categorias como a infantil, de veteranos e por equipes. Entre os vencedores, em 11º lugar, o bebedourense Miguel Santos Luís, que disputou com cerca de 200 concorrentes, a premiação de 1,5 milhão de cruzeiros, 25 troféus e 30 medalhas.
Rompendo com a tradição de ser uma corrida noturna, nas últimas edições houve a antecipação do horário para o final da tarde, entre 16h e 17h. Próxima de completar o cinquentenário desde quando fora criada em 1963 como Prova Pedestre 3 de Maio, a realização da competição foi interrompida, dando lugar a outras provas promovidas por entidades ou empresas privadas.
(Colaboração de José Pedro Toniosso, professor e historiador bebedourense,
www.bebedourohistoriaememoria.com.br).
Publicado na edição 10.966 de sábado a terça-feira, 8 a 11 de novembro de 2025 – Ano 101




