

Até meados da década de 1940, com uma população urbana de pouco mais de dez mil habitantes, a cidade de Bebedouro limitava-se à área que hoje corresponde ao centro antigo, tendo como limites construções como a Santa Casa e o Ginásio Municipal (atual EE Dr. Paraíso Cavalcanti). O único núcleo residencial afastado era a Vila Paulista, que fora criada no final dos anos de 1920 pela respectiva companhia ferroviária.
Foi quando o Major Cícero de Carvalho decidiu lotear a chácara de sua propriedade, localizada entre o córrego da Consulta e a Vila Paulista, encontrando muitos interessados nos terrenos. Com isso, dezenas de moradias surgiram no local, dando origem a um novo bairro que recebeu a denominação de “Vila São José”.
Nos anos seguintes, gradativamente, a Vila recebeu uma série de melhoramentos, como a abertura de ruas e iluminação pública. Para atender a crescente demanda escolar, em 1951 o governo do Estado criou o “Grupo Escolar da Vila Paulista e Bairro São José”, que inicialmente funcionou em imóvel cedido pelo Major Cícero. Posteriormente ocorreu a construção de prédio próprio, inaugurado em 1958 com a denominação de Grupo Escolar José Francisco Paschoal.
Em 1954, por meio de lei municipal, a Vila foi incluída como integrante do perímetro suburbano da sede do município, ocorrendo a demarcação oficial da sua área, retificada dois anos depois.
As ruas do bairro não possuíam denominações oficiais até 1956, quando foram nomeadas as primeiras ruas, conforme decretado pela Câmara e promulgado pelo prefeito Francisco Martins Alvarez: “Os prolongamentos das ruas José Francisco Paschoal, General Osório, Carlos Gomes (atual Vanor J. Franco), 15 de novembro, Cel. João Manoel, Brandão Veras e Vicente Paschoal, para além do Córrego da Consulta, na Vila São José, passam a ter respectivamente as seguintes denominações: São Francisco (atual avenida Donina Valadão Furquim), Irmã Crucifixa, Santos Dumont, Dr. Felício Castellani, São José, Almeida Pinto, Dr. João Antônio Stamato e Cícero Prates.”
Observa-se que as citadas ruas Santos Dumont e São José foram suprimidas no traçado do bairro, enquanto as outras ruas foram denominadas João Leite de Camargo, Paul Harris, Presidente Vargas, Norberto Rangel e Onze de Março.
Na mesma época, por decisão do poder público municipal, o bairro passou a ser nomeado como “Vila Major Cícero de Carvalho”, o que foi oficializado com a publicação da Lei no. 332, de 28 de dezembro de 1956.
No ano seguinte, o prolongamento da rua São João, além do pontilhão do Córrego da Consulta, passou a ser denominado como avenida Maria Dias. Foi quando a via foi alargada, com a construção de canteiros centrais, além de ser arborizada, ajardinada e, posteriormente, asfaltada.
No início dos anos de 1960, no primeiro mandato do prefeito Hércules Pereira Hortal, teve início o processo de revitalização da área que margeava o córrego da Consulta e separava a região central dos bairros Vila Paulista e Major Cícero de Carvalho. Houve a retificação do curso do referido córrego no trecho entre as ruas São João e Cícero Prates. No mesmo período foram construídas as pontes de concreto sobre o córrego no prosseguimento das ruas Vicente Paschoal, Brandão Veras, Cel. João Manoel e São João, o que facilitou o acesso entre o centro e os bairros citados.
Na sequência, no primeiro mandato do prefeito Sérgio Sessa Stamato, o trecho do córrego entre as ruas José Francisco Paschoal e São João deram lugar ao lago artificial, que favoreceu a urbanização da região e o surgimento de novos bairros no setor sul.
Quem foi Major Cícero? Nascido em 1877, em Atibaia, Cícero Carneiro de Carvalho, mudou-se para Bebedouro, no início do século passado, casando-se em 1906 com Honória, filha do casal Rogério Alves de Toledo e Maria Batistina Dias de Toledo, pertencente a uma das famílias pioneiras do município. Com a divisão da Fazenda do Retiro, manteve a parte herdada até o falecimento da esposa, Honória, em agosto de 1944, quando decidiu dividir a área, o que deu origem ao primeiro bairro bebedourense formado por lotes, que posteriormente levaria seu nome. Faleceu em 16 de julho de 1960, após décadas de contribuição no processo de desenvolvimento local, sendo considerado também um dos primeiros citricultores do município.
(Colaboração de José Pedro Toniosso, professor e historiador bebedourense,
www.bebedourohistoriaememoria.com.br).
Publicado na edição 10.992 Sábado a terça-feira, 7 a 10 de março de 2026 – Ano 101




