20 anos de Plano Real, duas décadas de malabarismos

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Duas décadas de estabilidade econômica estão ameaçadas por falta de política pública.

Em 1994, economistas liderados por Edmar Bacha, colocaram em prática, o mais audacioso programa de estabilidade econômica. O risco era muito grande, porque era ano de eleições presidenciais e o histórico brasileiro apresentava sucessivas tentativas fracassadas. Foram inúmeras investidas parecidas com o Plano Cruzado, Plano Collor, Plano Verão e outros.
No poder, um vice sem expressão na política nacional, Itamar Franco, substituía Fernando Collor, retirado do poder pelo Congresso Nacional, após suspeita de corrupção, capitaneado por seu tesoureiro PC Farias.
Para aumentar a tensão dos mercados financeiros, no cargo de ministro da Fazenda, foi nomeado um acadêmico sociólogo, com passado marxista, Fernando Henrique Cardoso.
Os acertos foram a substituição gradual da moeda, pela URV – Unidade Real de Valor e a permissão para importação em larga escala de gêneros alimentícios, para evitar o erro do Plano Cruzado, no Governo de José Sarney, quando houve boicote dos fornecedores contra o congelamento de preços. Com atividade econômica em expansão, aumento das exportações, houve superávit na balança comercial e consequente fortalecimento da recém criada moeda, o Real.
Por duas décadas, ou mais exatamente, por 18 anos, houve relativa estabilidade financeira, com baixa inflação, nunca antes vista pelos brasileiros.
Porém, duas décadas foram mais do que suficientes para os governos FHC, Lula e Dilma, terem feito investimentos em infraestrutura de portos, estradas, para escoamento da produção e exportação de produtos. Não houve política agrícola adequada que garantisse condições para citricultores e sojicultores manterem sua alta produtividade.
Não se pode desconsiderar os efeitos pesados das últimas crises internacionais, principalmente de 2008, nos Estados Unidos, o maior comprador do mundo, até agora recuperando-se de seu poder financeiro.
Houve muito marketing político e pouco investimento do País para sustentar o Real. Apesar do perfil de “gerentona”, Dilma não teve a capacidade de planejar e a coragem de substituir o ministro da Fazenda. Ela poderá pagar o preço nas urnas, mas há ainda o risco do prejuízo ser dividido com a população com o fim da estabilidade. Graças a Deus, ainda dá tempo de reverter este quadro, se a classe política não ficar preocupada com ano eleitoral. Postura que felizmente, teve Itamar Franco.

Publicado na edição nº 9668, dos dias 11 e 12 de março de 2014.