A última benzedeira

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Há sete décadas, com fé, carinho e sorriso, munida apenas de galhos de arruda e guiné, dona Luzia, uma simpática moradora da Vila Paulista, benze crianças de Bebedouro. Doa seu dom espiritual sem nada cobrar e diz que a receita da felicidade é ajudar ao próximo.

Doação de Fé – Com terço em mãos ou galhos de arruda, Dona Luzia benze crianças e aconselha.

 

Gazeta de Bebedouro – Desde quando a senhora começou a benzer?
Luzia – Eu comecei aos 11 anos. Mas minha mãe me contava que já aos seis anos, durante as visitas aos recém nascidos de parentes e amigos da família, eu já ia com um galho de arruda para benzer e rezar pelas crianças. As mulheres chegavam a perguntar para minha mãe como eu conseguia isto. Outra história que minha mãe me contava foi que aos seis anos, eu fui na sacristia da igreja em Ibitiuva e benzi um padre com água benta. E o engraçado é que ele disse que sentia uma dor e depois disto parou.

GB – Isto surgiu como vocação ou porque a senhora quis?
Luzia – Não, isto era natural. Acho que já nasci com esta missão.

GB – Por que benzer crianças?
Luzia – É uma missão divina. E como os pais viam que as crianças ficavam bem, também pediam oração e assim passei também a benzer adultos. E todos saiam sentindo-se fortificados.

GB – Que tipo de planta usa para benzer?
Luzia – Galhos de arruda ou guiné. Mas quando vou em um lugar onde não tem nenhuma das coisas, uso uma rosa.

GB – Quando chega a criança para ser benzida, já sabe qual o problema dela?
Luzia – Sei, porque meu guia me avisa e me orienta se é caso de oração ou de levar até o médico. Benzo a criança e depois recomendo ir ao médico, porque sempre é necessário.

(…)

Leia mais na edição nº 9582, dos dias 10, 11 e 12 de agosto de 2013.