Aberta a temporada de troca de partidos

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Pouco importa ideologias para políticos que entram e saem de legendas.

A assembleia parlamentar da França durante a Revolução Francesa era dividida entre moderados girondinos e radicais jacobinos. Nasce daí o conceito de esquerda e direita, fartamente aplicado na leitura política, até bem pouco tempo atrás. Os políticos escolhiam o lado, conforme sua formação ideológica.
Porém, no Brasil, com 32 partidos em atividade, podendo surgir mais, não dá para identificar a ideologia, nem teriam tantas… Mesmo durante a formação do Solidariedade, do deputado federal Paulinho da Força Sindical, ou da Rede, da ex-senadora Marina Silva, duas legendas com apoiadores em Bebedouro, nunca foram convocados debates ou reuniões para apresentar suas ideias para a sociedade. As siglas surgem da cabeça dos líderes, arrebatam dezenas de deputados estaduais, federais e até senadores, sem explicar de fato o que pretendem trazer de novo.
Como não poderia ser diferente do resto do País, em Bebedouro, há frenética mudança de partidos e de comando de legendas. Apesar da política ser municipal, as decisões são tomadas de cima para baixo, também sem qualquer coerência ideológica.
Por exemplo, o ex-prefeito João Batista Bianchini, o Italiano, que já foi filiado ao PP, PSDB, PV, PTB agora, recentemente, deve ir para o PDT. Nem seus quatro anos de mandato de vereador e nos mais quatro anos de prefeito, deu para saber se a ideologia dele é progressista, socialdemocrata, verde, trabalhista ao estilo Getúlio Vargas, pai do PTB; ou Leonel Brizola, fundador do PDT.
Ou mesmo pode-se dizer de seu ex-vice, Gustavo Spido, que tenta migrar do PV para o PMDB. Na eleição presidencial passada, ninguém viu o ex-candidato a prefeito com broche da Dilma Rousseff (PT), aliada dos peemedebistas, e não há certeza que ele tenha intenção de defender o governo federal, em 2014.
Por isto, do jeito que os políticos tratam os partidos, que o slogan de uma legenda de extrema esquerda resume a situação: é tudo farinha do mesmo saco. Melhor ler a biografia de cada um dos candidatos antes de votar, porque filiação partidária aqui, não quer dizer nada.

Publicado na edição nº 9605, dos dias 3 e 4 de outubro de 2013.