Ana Maria Stamato e Suhail Ismael:
44 anos de história

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Durante um baile de calouros, em São Carlos (SP), Suhail Ismael e Ana Maria Stamato se encontraram. Parecia ser um amor à primeira vista, pelo menos para Suhail, que dizia aos amigos que Ana Maria já era dele, enquanto todos riam! O tempo passou, a vida os separou, mas algo os unia. Em 1967, ela foi para São Paulo, ele veio para Bebedouro… Matkub! “Já estava escrito”, em árabe. Naquele momento, a promessa de casamento. Ana Maria e Suhail viajavam todos os finais de semana para se ver até que, finalmente, ela voltou para Bebedouro. No final de 1968, a data tão esperada: o dia do casamento! A Matriz de São João Batista e o Bebedouro Clube foram os cenários da união. Para comemorar o Dia dos Namorados na próxima terça-feira (12), a Gazeta conta hoje a história de um dos casais mais conhecidos e simpáticos da cidade. Neste ano em que a Gazeta celebra 88 anos de existência, por coincidência, ou não, Ana Maria e Suhail comemoram 44 anos de casados, exatamente a metade. Da união, três filhos e quatro netos. Do amor, a fidelidade e a certeza de que a vida a dois vale a pena ser vivida!

De repente, lá está ela! – Suhail cumprimentava o irmão de Ana, durante o baile de calouros, quando ela apareceu em sua vida

 

GB – Onde nasceram? E quando?
Ana Maria – Sou nascida e criada aqui mesmo em Bebedouro, em 6 de outubro.
Suhail – Nasci em Onda Verde (SP), em fevereiro de 1936. Tenho orgulho de dizer que é uma cidade fundada pelo meu pai, ele foi para lá no começo do século passado. Um dos meus irmãos foi o primeiro prefeito inclusive… Na época a cidade se desenvolveu bastante, mas como ficou muito próxima a São José do Rio Preto, acabou ficando na sombra, hoje deve ter em torno de 10 mil habitantes.

GB – Como foi a infância? Onde viveram?
Ana Maria – Deliciosa! Minha infância foi passada na casa da minha avó Fanny Stamato, naquele casarão que tem ali na esquina da rua Cel, João Manoel com Rubião Junior. Me lembro das reuniões de família, aqueles tios todos, um monte de primos, o quintal era enorme, então a gente brincava de fazendinha, inclusive saíam as brigas e um chutava a fazendinha do outro, voava boizinho pra todo lado! (risos) Minha infância foi muito feliz e a juventude também, vivi nos anos dourados, como se diz!
Suhail – Minha infância foi ótima, a gente morava na fazenda, eu estudava numa daquelas escolinhas rurais que ficava a um km distante da sede da fazenda, me lembro bem das enforcadas de aula! (risos) Tinha a lavoura de arroz no caminho, a gente enforcava aula e se escondia lá no meio, depois não agüentava ficar muito tempo lá e voltava para casa e acabava apanhando porque descobriam que a gente enforcava aula! (risos) Mas foi uma infância ótima, e complementada aqui em Bebedouro, vim novinho para cá, com oito anos de idade, quando entrei para a Abílio Manoel, onde fiz o 1º, 2º e 3º e 4º ano, sempre fui um dos primeiros alunos, ganhava prêmios, livros dos professores…

GB – Suhail, seu nome é bem diferente, qual a origem?
Suhail – Éramos 14 irmãos, e meus pais eram libaneses, vieram como imigrantes. Então meu pai tirava os nomes dos filhos do Alcorão, livro sagrado dos árabes.

GB – Do que vocês têm saudades?
Ana Maria – Tenho muita saudade de Bebedouro de antes, da década de 60, dos meus primos…
Suhail – Dos familiares que já se foram, da infância, das peraltices quando criança! Dá saudade do tempo em que estudei na Abílio Manoel e também no ginásio Estadual, quando a gente enforcava aula para roubar jaboticaba! Saudade dos colegas da escola, hoje espalhados pelo Brasil afora.

GB – E os pais, quem foram?
Ana Maria – Meu pai foi Lauro Stamato e minha mãe Marieta Cruz Stamato, foram professores, lecionaram aqui em Bebedouro, meu pai foi professor de educação física ainda no tempo do colégio do França (Orlando França de Carvalho)…
Suhail – Nos mudamos para Bebedouro em 1944, e meu pai comprou a chácara do monsenhor Aristides, como era pequena demais, menos de dois alqueires, comprou outra chácara, do Dr. Brasil, que era superintendente da São Paulo – Goiás, moramos lá toda a vida, onde hoje é o bairro São Conrado. Meu pai era João Ismael e minha mãe Messhia Ismael.

 

(…)

Leia mais na edição n° 9410, dos dias 7 a 11 de junho de 2012.