Capez diz que será o 1° a assinar CPI da ‘máfia das merendas’

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Bancada do PT na Alesp pedirá abertura para investigar suposto esquema de fraudes na merenda escolar.

O procurador-geral de Justiça, Marcio Fernando Elias Rosa, segundo o jornal ‘O Estado de São Paulo’, criou força tarefa para investigar denúncias de envolvimento do presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, deputado Fernando Capez (PSDB), em esquema de fraudes na merenda escolar desmontado pela Operação Alba Branca, deflagrada na terça-feira (19), em Bebedouro, na Coaf (Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar).
De acordo com a reportagem, o grupo será presidido pelo próprio chefe do Ministério Público do Estado e terá a participação dos procuradores Nelson Gonzaga, ex-corregedor-geral do MP, Nilo Spinola Salgado Filho e os dois promotores que estão à frente do caso, em Bebedouro.
Capez é citado em depoimentos de investigados da Operação Alba Branca. Um assessor e um ex-assessor de Capez também são citados: Luiz Gutierrez, o Licá, do grupo de confiança e cabo eleitoral do presidente da Assembleia, e Jeter Rodrigues – que o deputado disse ter demitido.
Outro alvo da investigação é o assessor de Edson Aparecido, secretário da Casa Civil do governo Geraldo Alckmin (PSDB), Luiz Roberto dos Santos, “o Moita”, que foi afastado da assessoria de Aparecido, um dia antes de a operação ser deflagrada.
A competência para investigar o caso é do procurador geral de Justiça porque Fernando Capez é procurador de Justiça de carreira e deputado. Elias Rosa não está tirando o inquérito das mãos dos promotores da Comarca de Bebedouro, diz a matéria.
De acordo com o Estadão, o procurador-geral quer manter no caso, os promotores que iniciaram a apuração (Herbert Oliveira e Leonardo Romanelli). “O procurador-geral pretende ainda adotar a mesma estratégia da Operação Lava Jato, com relação à competência sobre inquérito que cita parlamentar federal – alvos da Operação Alba Branca que também apontou o nome do presidente estadual do PMDB, Baleia Rossi, que é deputado federal. Na Lava Jato, a parte que envolve políticos com foro privilegiado ficou sob responsabilidade do Supremo Tribunal Federal. O restante ficou nas mãos do juiz Sergio Moro, em Curitiba”, informou o Estadão.
Elias Rosa vai manter sob atribuição da Promotoria de Bebedouro, a fatia da Alba Branca que cita empresários, lobistas e servidores públicos. Sob sua responsabilidade, manterá a investigação sobre Capez e prefeitos.
“Vou pedir aos promotores colegas da Comarca de Bebedouro, compartilhamento dos dados do inquérito da Alba Branca”, disse o procurador-geral Elias Rosa ao Estadão.
A Gazeta entrou em contato com a assessoria do presidente da Alesp, mas em virtude do feriado de aniversário de São Paulo, celebrado em 25 de janeiro, não obteve retorno.
Fernando Capez manifestou-se no site oficial da Alesp, por meio de nota, repudiando com veemência, a ligação de seu nome ao escândalo Alba Branca. “Esclarecerá toda e qualquer dúvida e tomará providências judiciais e administrativas. Independentemente de eventuais motivações que possam ter ligado seu nome e sua imagem a fatos tão sórdidos como fraude em merenda escolar, o presidente da Alesp contribuirá para apurar as denúncias e punir os verdadeiros responsáveis. A menção irresponsável a seu nome deveria servir de base para uma apuração criteriosa, antes de se dar ao fato essa ampla publicidade. Os 30 anos de imagem pública nos campos jurídico, acadêmico e político, bem como a presente gestão na presidência da Alesp, não serão abalados, e tudo será esclarecido em breve”, diz a nota.

Publicado na edição nº 9941, de 26 e 27 de janeiro de 2016.