Cemitério de ideias na Vila Santa Terezinha

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As inacabadas obras do centro esportivo do bairro viraram símbolo da falta de planejamento.

O canteiro de obras do centro esportivo da Vila Santa Terezinha é o símbolo de que política pública não se faz apenas com boas intenções. É preciso fazer planejamento para não terminar no meio do nada.
Empolgado com o início de mandato, em 2009, o então vereador Valdecir Ramos de Castro, o Sensei (DEM) propôs a construção do centro esportivo. Do mesmo partido, o experiente ex-vereador Celso Romero (DEM) previu que o prédio não seria concluído e que o melhor seria investir a verba no melhoramento do Centro Social Tancredão, a poucos metros do local.
Passados quatro anos, o local, onde deveria ser erguido o centro esportivo, é a prova da falta de planejamento. Mal dá para ver as paredes levantadas da edificação, tal é a altura do mato que toma conta do terreno.
Parte do problema recai sobre a construtora escolhida para fazer a obra. Sabe-se lá quais os critérios usados na concorrência, mas pecou pela falta de exigência de garantia financeira de que a empresa teria capacidade em honrar o compromisso. Houve troca de construtora, e a seguinte também não fez muita coisa. Também havia confusão quanto à desapropriação do terreno, que até o momento não foi resolvido. Em resumo, um festival de trapalhadas.
A casa erguida para guardar ferramentas dos pedreiros e material de construção, virou moradia improvisada de pessoas sem-teto, talvez as únicas beneficiadas com esta melancólica empreitada política.
O fim desta novela é que a gestão anterior estourou todos os prazos possíveis e a gestão atual vai ter que devolver toda a verba aplicada no pesadelo que virou o centro esportivo.
Está nítido que faltou à administração passada, bom senso na discussão do projeto do centro esportivo, verificando sua viabilidade técnica e financeira, antes de liberar o empreendimento. Com bons argumentos é certo que o vereador Sensei e os moradores do bairro convenceriam-se de que o melhor seria fazer melhoramentos no Tancredão.
Não é a primeira vez que boa intenção termina em obra inacabada. Temos os exemplos da Ferrovia Madeira Mamoré e da Rodovia Transamazônica. O difícil agora é pensar o que fazer no local onde seria o centro esportivo. Independente da solução, que ela seja bem discutida antes de ser executada. Bom planejamento evita desperdício de dinheiro público.

 

(…)

Publicado na edição nº 9538 dos dias 23 e 24 de abril de 2013.