
A luz por dispositivo LED (Light Emitter Diode) chegou ao século XXI para fazer diferença. Com o objetivo de ser mais eficiente, mais durável e agredir muito menos a natureza ela já rendeu aos seus criadores, os japoneses Isamu Akasaki, Hiroshi Amano e Shuji Nakamura, o Prêmio Nobel de Física de 2014.
A história do LED remonta a década de 1960, quando o diodo para a cor vermelha foi criado. A partir daí novas cores como o verde e o amarelo surgiram, mas somente em 1990 foi inventado o diodo para a cor azul, fechando o espectro da luz branca e dando oportunidade para a criação de lâmpadas com esta tecnologia.
Hoje os LEDs são utilizados em larga escala como componentes de telas para celulares, tablets, TVs e faróis veiculares, sem contar a iluminação pública que as cidades estão começando a adotar massivamente.
Já é perceptível que eles têm conseguido cumprir efetivamente os objetivos estabelecidos em seu processo de criação e desenvolvimento, principalmente no que tange à economia proporcionada quando os usuários resolvem trocar tecnologias mais antigas por essa novidade. Também é perceptível que o seu uso inovativo está longe de chegar ao auge. Pelo contrário, a cada dia surgem novas ideias de aplicações para uso e benefício da sociedade. Uma das últimas notícias dá conta da utilização do LED como propulsor no processo produtivo da cerveja.
Mais luz, menos tempo
É difícil imaginar que um processo produtivo possa ser melhorado substancialmente devido a uma simples revisão de atividades ou a introdução de parcos recursos financeiros. No máximo, uma melhora parcial. Mas quando a tecnologia de ponta se alinha com tais atividades, a probabilidade evolutiva do conjunto parece bem óbvia. É o que mostrou o estudo de três pesquisadores da USP de São Carlos – Éverton Estracanholli, Vanderlei Bagnato e Igor Policarpov.
A ideia inicial do trio era quantificar carboidratos em amostras de mosto cervejeiro (substância composta por água e malte) na fase de fermentação com o uso da luz. Durante o estudo, eles observaram que calibrando algumas variáveis como o comprimento de onda, a intensidade de luz, a dose fornecida e o tempo de iluminação de forma adequada, seria possível acelerar o processo de fermentação da cerveja em até 20%, o que levantou boas suspeitas de viabilidade para um processo massivo de produção.
A fotoestimulação em sistemas biológicos, técnica utilizada pelos pesquisadores para melhorar o processo produtivo da cerveja, não é um fenômeno desconhecido da ciência. Entretanto, de acordo com Estracanholli, não foi encontrada na literatura científica nenhuma citação sobre o uso de radiação eletromagnética – a luz visível, por exemplo – para acelerar os processos de fermentação alcoólicos ou não alcoólicos.
Esse fato direcionou os pesquisadores a patentear o processo com o patrocínio da USP e aprofundar as pesquisas para a viabilidade comercial, o que se mostrou bem provável.
Produção em ascensão
Dados de 2010 indicam que o Brasil é o terceiro maior produtor de cerveja do mundo, atrás somente da China e dos Estados Unidos. Por outro lado, estamos entre os 30 maiores consumidores (especificamente o 27º), com consumo de 65 litros por habitante. Os três maiores da lista são República Tcheca, Alemanha e Áustria, nesta sequência. O faturamento da indústria cervejeira nacional atingiu nesse mesmo ano de 2010 a cifra dos R$62 bilhões e parece estar em franca expansão.
Os resultados aferidos por Estracanholli, Bagnato e Policarpov em seus estudos sinalizam uma boa sintonia entre a tendência ascendente do mercado produtor de cervejas e a melhora do processo produtivo sem grandes investimentos financeiros. Mostram também que a ciência básica alinhada ao processo industrial pode trazer frutos inesperados e importantes. Embora faltem boas iniciativas, investir nessa parceria nos parece um caminho sustentável para ajudar o país a se recolocar nos trilhos do crescimento e da prosperidade, sem lesar as já minguadas economias da
população.
Publicado na edição nº 9855, dos dias 18 e 19 de junho 2015.




