Discretamente crescendo e dando exemplo

0
69

Três décadas da Credicitrus tem muito a ensinar para tanta gente…

A Assembleia Geral da Credicitrus realizada na manhã de quarta-feira (10), na Estação Experimental de Bebedouro faz qualquer participante imaginar-se em outro mundo. O grau de organização, eficiência e otimismo, contrasta com o que ocorreu ao município nos últimos 30 anos.
Só para exemplificar: a Credicitrus tem 693 funcionários e acumulou R$ 103 milhões de sobras de caixa. A Prefeitura de Bebedouro tem 2,5 mil funcionários e acumulou dívidas de R$ 60 milhões… por enquanto. É logico que um banco tem objetivo de crescer com o lucro e governos, teoricamente, não podem dar lucro. Teoricamente.
Para entender melhor esta comparação é bom retornar há 30 anos na história de Bebedouro. Em 1983, a cidade vivia o boom da citricultura. Os produtores de laranja tinham uma fábrica de laranja, a Frutesp, grande fonte de emprego e renda. Na Prefeitura, abastada com farta receita de ICMS, as maiores preocupações eram sobre a lista de shows que se apresentariam na Festa da Laranja.
Longe desta euforia, um grupo de citricultores, liderados pelo lendário Walter Porto, agricultor sem curso universitário, mas com excelente senso de administração de empresas, e o experiente funcionário do Banco do Brasil, Leopoldo Pinto Uchôa, que era também agricultor, propuseram a criação de uma cooperativa de crédito. Sem qualquer pompa, discurso ou placa de inauguração, assim foi criação da Credicitrus. A definição correta para os dois é, visionários.
Paralelamente, na Prefeitura de Bebedouro, foram três décadas de trocas de nomes na cadeira de prefeito, porém, sem qualquer mudança substancial em favor do desenvolvimento econômico e da vida da população. Com todo respeito aos governantes que passaram pelo comando da cidade, não podemos admitir que eles tenham sido visionários.
Mas a diferença entre a Credicitrus e a Prefeitura é simples: política e empresarial. O crescimento da cooperativa foi planejado passo a passo, com estudos aprofundados para cada um dos investimentos. Infelizmente para todos, na política, em mandatos de quatro anos, o planejamento e a cautela são trocados pelo imediatismo e pelo marketing.
Mas o problema não está só na Prefeitura de Bebedouro. Após oito anos de FHC, oito de Lula e dois de Dilma Rousseff, vergonhosamente, o Brasil não tem estrutura portuária. É tempo demais e planejamento de menos. Todas as cooperativas do Brasil têm muito a ensinar aos políticos.