É preciso estabelecer limites entre interesses público e privado

0
108

Uso da máquina administrativa em favor de empresas dirigidas por parentes de políticos, mesmo que seja legal, não é moral.

A palavra política vem do grego e significa ‘coisa pública’. Em resumo, o político deve cuidar dos interesses da coletividade. Mas o que vemos na realidade é a concretização da frase “para os amigos tudo, para os inimigos a lei”.
Não passa desapercebido pelos olhos de muitos, o fato da Prefeitura de Bebedouro pagar a farta distribuição de caçambas à empresa gerenciada pelo sobrinho do prefeito João Batista Bianchini (PTB), o Italiano.
É bom ressaltar que a empresa foi constituída legalmente e ganhou concorrência pública sem contestação. Mas ela ganha por quantidade de caçambas distribuídas para recolher entulhos, porém a Prefeitura parece não ter controle sobre o serviço. E o estranho é que mesmo com a grande quantidade de caçambas pagas com dinheiro público, a cidade continua imunda.
Para piorar o quadro, máquinas e funcionários da Prefeitura foram flagrados em pleno ponto facultativo, decretado por Italiano, trabalhando na terraplanagem de área de propriedade da mesma empresa, gerenciada pelo sobrinho de Italiano. Tanta generosidade, mesmo que autorizada legalmente, não fica bem para quem ocupa o cargo executivo máximo da cidade e sonha em se candidatar a deputado daqui dois anos.
A empresa que está sendo beneficiada com a benesse detém a concessão para distribuir gratuitamente caçambas pela cidade às expensas da Prefeitura. Mas a concessão não é infinita e na próxima licitação, eles poderão não vencer. Se isto acontecer o interesse público nada lucrou com a terraplanagem cedida pela Prefeitura, exceto o proprietário da empresa.
Por outro lado, há anos arrasta-se a falta de regularização ambiental para área de descarte de entulhos de construção civil. A Prefeitura pode alegar falta de recursos para cumprir todas as exigências da Cetesb e do Ministério Público. Mas justamente neste ponto caberia parceria, desde que abrangente, com todas as empresas do ramo. Poderia ser dada concessão para trabalhar nesta área de descarte, desde que estas empresas assumissem os custos de regularização e de administração do aterro.
A verdade é que há poucos anos foi aprovado um Plano Municipal de Saneamento Básico para Bebedouro, inclusive com regras para aterro de construção civil. Porém, esta legislação foi para o lixo ou ignorada por interesses que não são os da população.
Os guardiões desta legislação deveriam ser os vereadores, mas se levarmos em conta as pautas das últimas reuniões, os nobres parlamentares ficarão sabendo do problema, apenas depois que a Gazeta publicar.

 

Publicado na edição n° 9476, dos dias 20 a 21 de novembro de 2012.