Eleição e previsões

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Antonio Carlos Álvares da Silva

Não adianta tentar escapar: O assunto da hora é eleição. A surpresa da passagem de Aécio Neves para o segundo turno criou uma série de prognósticos contraditórios. Um raciocínio superficial (não resisto à tentação de usar uma expressão muito usada há 50 anos, raciocínio “tout court”, raciocínio todo curto) prevê o seguinte: os votos recebidos pela Marina passarão para o Aécio e ele já está eleito. A coisa não é bem assim. Quem votou em Marina é o eleitor de várias tendências. Ele tanto pode abster-se, como até votar na Dilma. Não se pode comparar com a hipótese da Marina no segundo turno, quando então, todos os eleitores de Aécio votariam nela. Muita gente está esperando a publicação de novas pesquisas, para ter uma ideia daquilo, que pode acontecer. Mas, pesquisa tem sempre uma limitação: Sendo uma consulta por amostragem, não pode prever o comportamento do imenso contingente de eleitores, que não votaram, votaram em branco, ou anularam seu voto, no primeiro turno. Esse eleitorado passou de 37 milhões de pessoas. Nada garante, que ele vai repetir sua conduta no segundo turno. Os motivos são variados: A eleição no primeiro turno previa voto em deputado estadual, federal, senador, governador e presidente. É uma profusão de números, que confunde os mais simples. Essa profusão, em muitos casos, fez com que ele votasse em branco ou anulasse seu voto. No segundo turno, em muitos estados só vai ter eleição para presidente. Vai facilitar a votação dos afobados, analfabetos e semianalfabetos. Vai haver outro fator muito importante: Agora, a propaganda eleitoral vai se concentrar em apenas dois candidatos. Os argumentos serão mais objetivos e atingirão mais os eleitores. Parte dos mais de 37 milhões de eleitores, que não votaram no primeiro turno poderão se interessar e escolher um candidato. Também nessa fase os marqueteiros terão uma influência maior, porque a propaganda será mais assistida. Os debates terão mais influência. Na minha opinião, esses são argumentos principais, para que nada esteja definido. Um exemplo: Dilma automaticamente ganhará o voto de todos os eleitores, que votaram em Luciana Genro no primeiro turno. O PSOL ainda está com aquele ranço do tempo do bumba, que dividia o mundo em socialistas e reacionários neoliberais. O Lula, que é oportunista já vem repetindo que a elite reacionária, é muito malvada e tem ódio dos pobres e trabalhadores. Então, a Dilma, que estava vendida aos banqueiros no primeiro turno, agora readquiriu sua aura socialista e vai ser apoiada pelo PSOL. São 1,6 % dos votantes, ou mais de 2 milhões de votos. Em quem votarão agora, os evangélicos, que votaram em MARIAN NO PRIMEIRO TURNO? O jeito é esperar a verdadeira pesquisa que é a eleição.

(Colaboração de Antônio Carlos Alvares da Silva, advogado bebedourense).

Publicado na edição nº 9757, dos dias 11, 12 e 13 de outubro de 2014.