Em política, tamanho não é documento

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Ser o maior partido em número de filiados não resulta automaticamente em votação.

Os primeiros partidos políticos surgiram no Brasil em 1837, com o Partido Conservador e o Partido Liberal. De lá até os dias de hoje vieram uma infinidade de siglas, criadas e extintas, por divergências internas e até por intervenção estadual, com a Proclamação da República, Estado Novo, Ditadura Militar e Reabertura Política.
Os partidos ideológicos passaram a surgir com a imigração europeia, a vinda de espanhóis e italianos, ligados ao Anarquismo e ao Comunismo. O Partido Comunista do Brasil foi fundado em 1922, porém, o PCdoB de hoje, não tem qualquer relação com o passado, portanto não pode ser considerada a mais antiga legenda do País.
Em 20 de novembro de 1965, artificialmente, o presidente militar Castelo Branco, tenta criar o bipartidarismo, com o surgimento da legenda governista Arena e a oposicionista MDB.
Com a reabertura política em 1980, surgem inúmeras legendas até que chegamos à situação de termos 32 partidos, alguns grandes e nacionais, como PMDB, DEM, PSDB e PT, outros, apenas agrupamentos, como PCO, PSTU, PRTB e PAN, legendas que praticamente não têm prefeitos eleitos ou vereadores.
Em Bebedouro, segundo o Tribunal Superior Eleitoral, temos 26 legendas, que congregam mais de 4 mil filiados, o que significa um filiado a cada 12 eleitores. Porém, na prática, isto não quer dizer muita coisa.
Se levada em conta apenas a matemática, o PTB, capitaneado pelo grupo do ex-prefeito Italiano, deveria ser a maior legenda da cidade, com mais de 900 filiados, mas nas eleições de 2012, elegeu-se vereador apenas Paulo Bola.
Em resumo, a briga dos candidatos a presidente e governadores, para abrigar o maior número de legendas em sua chapa, nada mais é do que uma corrida por mais tempo no horário eleitoral gratuito.
E mesmo se ocorrer o milagre da eleição de um candidato a presidente por exemplo, do nanico PCO, não quer dizer que governará sozinho. Para conseguir apoio no Congresso Nacional, serão obrigados a fazer alianças, parte do jogo político da democracia.
Até que apareçam novas ideologias ou as atuais sejam reinventadas, partidos grandes continuam sendo no Brasil como ônibus lotados, onde muita gente entra porque é o meio mais rápido para chegar onde querem, mas quando ele quebra ou é derrotado, ninguém desce para ajudar no conserto ou a empurrar, vira as costas e vai à procura de outro.

Publicado na edição nº 9721, dos dias 19, 20 e 21 julho de 2014.