
Julio Cesar Sampaio
“… A porta mais bem fechada é aquela que pode deixar-se aberta”. – (Provérbio chinês)
Desde o ano de 2009, o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) passou a ser mais exigente com seus participantes. Na prova será cobrado, entre as matérias essenciais: Ciências Humanas (Filosofia), Ciências da Natureza, Linguagens e Códigos, e Redação. Essas são matérias que estão na grade do Ensino Médio, porém, para quem estudou a vida inteira em escola pública e que sabe que as aulas da matéria – Filosofia – é a que, às vezes, menos tem em sala de aula, com frequência incontinenti, a dica é: não fique esperando apenas da escola, por que pode não acontecer (infelizmente, em alguns casos). Se quiser ter um bom desempenho nessa disciplina (são 10 questões), procure reforço em um grupo de estudos entre amigos, livros paradidáticos, entre outros. Eis as temáticas filosóficas a serem arguidas: moral, ética, organização política, cidadania, participação popular, democracia, multiplicidade cultural e diferença, pensamento socrático e o mundo contemporâneo. Heráclito de Éfeso (504/503-501/500 a.C.), filho de Blosão, advogou toda a sua filosofia acerca da ideia de que o substrato do cosmos é essencialmente dinâmico, processual. Chegara, ele, a uma máxima: a luta de contrários. Parmênides (504-500 a.C.), filho de Pires, foi um cidadão de Eleia (Élaia ou Velia), “floresceu” no ano que Zenão nasceu. O grande “princípio parmenidiano”, que é o próprio princípio da verdade, é este: o ser é e não pode não ser; o não ser não é e não pode ser de modo algum. Dissertamos aqui, laconicamente, sobre esses dois pré-socráticos, pois investigando o Enem para esse mês de novembro de 2014 (8 e 9), podemos notar várias mudanças no campo da logicidade acerca da nossa sociedade vigente (filosófico/sociológica) e também na argumentação (de cunho filosófico), de acordo com as temáticas aqui mencionadas. Destarte, cabe-nos, tão somente, parabenizar tanto o Enem pela mudança sistemática, paulatina e otimizadora, para o bem-estar do aluno como também, todo aluno que busca seu autoconhecimento, pela nobre iniciativa de buscar seu sucesso (…). Faça sua avaliação consciente! Não obstante, ser docente na área acadêmica de Filosofia é ser, tão somente, um vendedor de ideias. Quando se fala de educação – eduzir -, devemos ter como conceito precípuo de ensino-aprendizagem três conceitos que se entrelaçam, numa tríplice conceitual: corpo, mente e emoções. Exemplifiquemos: esses três conceitos entrelaçados simbolizam o “ego periférico” da natureza humana, sendo que cada uma dessas áreas se sobrepõe parcialmente a seus “vizinhos”, indicando as suas influências recíprocas da mente, das emoções e do corpo. Se adentrarmos, por conjectura, no “centro” das três vertentes encontraremos a autoeducação, o homem integral, o educando integral e, por conseguinte, a interação aluno/professor. Este centro é a base de todos os egos periféricos; tudo que o Homem sente, pensa (Perrenoud) e que tem sua origem,assim, em sua Alma (Sócrates). Por outro lado, tudo que acontece nas áreas dos egos periféricos se reflete no eu central. Convém que o Educador/Filósofo faça ver que não há “aloeducação” (periferias) sem “autoeducação” (centro), assim como a plenificação dos canais dependente da plenitude da “fonte”. Quanto maior for a plenitude do Eu central, tanto mais abundantemente transborda ela em benefício dos egos alheios. Toda a eficiência do nosso dizer ou fazer externo depende do conteúdo do nosso ser interno – assim como as cores (numa analogia) são produzidas pelo incolor, e os zeros: 00000 são valorizados pelo valor de um “1” antecedente: 100000; assim o educando se valoriza, plenifica-se, integraliza-se com seu EU pela autoeducação…Reiteremos: cabe, tão somente ao mestre Filósofo ser, por conseguinte, um vendedor de ideias!…Tal devir será a plenitude e o advento da educação integral…
(Colaboração de Julio Cesar Sampaio, Licenciado em Filosofia com pós-graduação no ensino de Filosofia).
Publicado na edição nº 9766, dos dias 1°, 2 e 3 de outubro de 2014.




