Estado cria mais seis centros de pesquisa para acelerar testes da CoronaVac

Atualmente, 9.039 voluntários brasileiros participam dos estudos clínicos da vacina. A meta é atingir 13 mil voluntários.

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Apoio a João Doria – O presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia afirmou, em São Paulo, na sexta (23), que a vacina é fundamental para a proteção do novo coronavírus. (Divulgação/Governo de SP)

Para acelerar a fase final de testes clínicos para identificar a segurança e eficácia da CoronaVac, seis novos centros de pesquisa estão sendo criados pelo governo estadual. Com isso, no país, são 22 locais em que a pesquisa é realizada.
Os novos centros serão supervisionados pelo Instituto de Infectologia Emílio Ribas, e serão executados em quatro hospitais da periferia da capital, onde a taxa de contaminação tem se mostrado maior que nos bairros centrais. Outros dois ficarão na região do ABC, que já tem a Universidade Municipal de São Caetano do Sul como local de testagem.
Atualmente, 9.039 voluntários brasileiros participam dos estudos clínicos da vacina, na terceira fase de testes, que são realizados com profissionais da área da saúde de sete Estados.
“Até agora, 15 mil vacinações foram aplicadas em nove mil voluntários. Cada voluntário recebe duas doses. Com a abertura dos novos centros, a meta é ampliar a pesquisa para o total de 13 mil voluntários”, explicou o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, em coletiva de imprensa, no Palácio dos Bandeirantes, no início da tarde de sexta-feira (23).
Segundo Covas, a abertura de mais seis centros agilizará a eficácia da vacina à Anvisa. “Com a inauguração destes centros, vamos ganhar velocidade para que a demonstração da eficácia possa aparecer o mais rapidamente possível. Esperamos que isso aconteça em novembro, meados de dezembro”, mencionou o diretor do Butantan, afirmando que agora, podem participar dos testes, profissionais da área da saúde acima de 18 anos.
Para determinar a eficácia da CoronaVac, é preciso que, ao menos, 61 participantes que receberam a substância sejam contaminados pelo novo coronavírus. A partir desta amostragem, haverá a comparação com o total dos que receberam a vacina e, eventualmente, também tenham diagnóstico positivo de Covid-19.
Caso o imunizante atinja os índices necessários de eficácia e segurança, pode ser submetido à avaliação da Anvisa para registro e posterior uso em campanhas de imunização contra o novo coronavírus. Nesta fase final da pesquisa, metade dos participantes recebe a dose da CoronaVac, enquanto os demais são inoculados com placebo.
O governo estadual firmou acordo com a Sinovac para aquisição de 46 milhões de doses da CoronaVac. Destas, seis milhões serão enviadas prontas da China e as outras 40 milhões serão envasadas e rotuladas no Instituto Butantan. Como o acordo também prevê transferência de tecnologia para a produção da vacina, o instituto passará a produzir mais doses em larga escala, após a adaptação de uma nova unidade fabril.

Visita do presidente da Câmara dos Deputados
O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM/RJ) participou, na sexta-feira (23), da coletiva de imprensa do governo de São Paulo.
“Eu espero que, através do diálogo, a gente possa construir a solução. Não apenas para São Paulo, mas para todos os brasileiros que precisam dessa vacina e das outras, para que a gente possa garantir proteção, principalmente ao grupo de risco”, afirmou Maia, enfatizando que o novo coronavírus não é um vírus qualquer.
“Para mim, que já tive Covid, infelizmente, não é um vírus qualquer, para quem teve sintomas como eu. Eu tive no pulmão, com aumento do D-Dímero, que eu aprendi ao longo do processo, com risco de trombose, com muito medicamento. Perder 10 quilos em sete dias, não parece um vírus tranquilo. Eu acho não, eu tenho certeza que a vacina é fundamental”, declarou Maia.

 

Publicado na edição nº 10528, de 24 a 27 de outubro de 2020.