Estado libera R$ 100 milhões para hospitais municipais e Santas Casas

Repasses começam em abril e seguem até julho, para ampliar capacidade de atendimento na rede de saúde e evitar o colapso do SUS.

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Coletiva – Governo de SP pede que todos fiquem em casa. (Divulgação/Governo de SP)

O governador João Doria liberará R$ 100 milhões para 300 Santas Casas e hospitais filantrópicos ou municipais de pequeno porte, ao longo dos próximos quatro meses, com objetivo de ampliar a capacidade de atendimento na rede de saúde e evitar que o sistema seja pressionado.
“O valor mensal é de R$ 25 milhões para que hospitais e Santas Casas possam ter reforço no custeio de atendimento a seus pacientes. O objetivo é que estes hospitais aumentem a capacidade e desafoguem os demais, sobretudo no atendimento de média e alta complexidade, que possam receber doentes e infectados com coronavírus”, afirmou o governador, na terça-feira (31 de março), em coletiva de imprensa.
Os repasses começam em abril e seguem até julho. Com o apoio a Santas Casas e 126 hospitais públicos de maior complexidade poderão liberar leitos, especialmente de terapia intensiva, para atender casos de Covid-19. Ao hospital receptor será pago incentivo extra de R$ 800 fixos por paciente/período, acrescido de R$ 500 de transporte.
A Central de Regulação de Vagas será responsável por intermediar as transferências, identificando leitos disponíveis nas unidades e encaminhando os pacientes de acordo com as necessidades diagnosticadas e os recursos clínicos disponíveis, buscando sempre os locais mais próximos de cada paciente.
Mensalmente, a expectativa é que, 18 mil pacientes extras com coronavírus possam ser absorvidos nos hospitais de alta e média complexidade, sendo que a medida passa a ser aplicada em todas as regiões do Estado.

(Divulgação/Governo de SP)

 

Apoio aos caminhoneiros
A Secretaria de Logística e Transportes e Artesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo), com apoio de empresas concessionárias, distribuirão 140 mil kits de alimentação para caminhoneiros, que circulam pelas principais rodovias do Estado, até 30 de julho.
“São Paulo tem 19 das 20 melhores rodovias do país e elas contarão com a distribuição de kits de alimentação exclusivos para motoristas de caminhões. Esta é uma medida de incentivo e respeito aos caminhoneiros, que estão ajudando a manter viva a atividade de abastecimento de alimentos, remédios e outros itens, à população do Estado de São Paulo e de outros Estados, considerando que São Paulo representa 40% da economia do país”, ressaltou Doria.
Os caminhoneiros podem receber marmitex com refeição completa, embalagens com lanches ou vales refeição. Os pontos de distribuição variam de acordo com cada rodovia, podendo funcionar em praças de pedágio, postos de pesagem ou postos de combustível. A distribuição dos kits já está em andamento e ficará a cargo de 17 empresas concessionárias.
A Concessionária de Rodovias Tebe, com sede em Bebedouro, antes do anúncio do governo estatual, iniciou, na segunda-feira (30 de março), a distribuição de 2 mil kits de lanches para os caminhoneiros que trafegam pelas praças de pedágio de Colina, Pirangi e Monte Alto.
Os caminhoneiros podem consultar os locais de distribuição dos kits no site www.abastecimentoseguro.sp.gov.br, além de obter informações sobre a situação dos postos de abastecimento e locais com restrição de circulação dos veículos ou bloqueios municipais.
“O trabalho dos caminhoneiros é fundamental para o bem-estar da população, principalmente neste difícil período de quarentena. Por isso, o Governo do Estado tem adotado medidas para dar apoio e auxiliar o dia a dia desses profissionais, garantindo a eles inclusive toda a segurança necessária para que possam desenvolver bem a sua rotina”, disse o Secretário Estadual de Logística e Transportes, João Octaviano Machado Neto.

Contribuição – Concessionária de Rodovias Tebe começou a distribuir kits de lanches aos caminhoneiros, na segunda (30 de março), antes do anúncio do Governo Estadual. (Divulgação)

 

Emendas no combate ao coronavírus
Na manhã de segunda-feira (30 de março), em coletiva de imprensa, o governador João Doria informou que R$ 219 milhões serão destinados ao combate e disseminação do coronavírus e ao reforço do atendimento de saúde aos pacientes infectados. O valor é proveniente de emendas parlamentares do Congresso Nacional.
Destes R$ 219 milhões, R$ 83 milhões serão investidos na compra de mil respiradores e 180 mil kits de EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) dentro do programa de implantação de novos leitos de UTI para atender casos graves do Covid-19.
Mais R$ 115 milhões serão destinados para 78 entidades de saúde, públicas e privadas, espalhadas pelas regiões do Estado de São Paulo e outros R$ 21 milhões serão repassados diretamente para a Prefeitura da capital, para fortalecimento das ações de combate à pandemia.
A bancada, coordenada pelo deputado federal Vinícius Poit (PSDB) é formada por 70 parlamentares de São Paulo de todos os partidos. A decisão das emendas foi definida em reunião com o vice-governador e secretário de governo, Rodrigo Garcia, e com o secretário especial e chefe do escritório de Representação do Estado de São Paulo em Brasília, Antônio Imbassahy.
Os recursos serão liberados gradualmente até 30 de abril e fazem parte do FNS (Fundo Nacional de Saúde), do Ministério da Saúde, oriundos de emendas impositivas da bancada de São Paulo.

Segurando pico
As medidas de contenção ao novo coronavírus, implementadas no Estado de São Paulo, surtiram efeito e já seguram a disseminação da Covid-19. A conclusão é de estudo realizado pelo Instituto Butantan, em parceria com o Centro de Contingência do Coronavírus de São Paulo e a UnB (Universidade de Brasília).
Os resultados, detalhados pelo presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas, na segunda-feira (30 de março), no Palácio dos Bandeirantes, mostram que, antes da quarentena, a velocidade de transmissão de casos era de uma pessoa para seis, o que exigiria acrescer 20 mil leitos à rede pública da capital paulista, dos quais 14 mil hospitalares e 6 mil de UTI (Unidade de Terapia Intensiva).
O Butantan e o Centro de Contingência já haviam divulgado, na sexta-feira (27 de março), que as medidas de restrição vigentes reduziram os índices de contágio. A taxa era de uma pessoa para três em 20 de março e caiu de uma para duas pessoas em 25 de março.
Ainda segundo projeções realizadas por epidemiologistas do Instituto Butantan, sem as medidas de restrições do Governo de São Paulo, a epidemia de coronavírus no Estado duraria 180 dias, contados desde fevereiro – quando o primeiro caso foi registrado -, e terminaria em setembro. Nesse cenário, seriam ao todo 277 mil mortes, 1,3 milhão de hospitalizados e 315 mil casos graves com necessidade de internação em UTI. Já com as medidas adotadas o número de mortes poderá a chegar a 111 mil, com 670 mil hospitalizações e 147 mil casos graves.

 

Publicado na edição nº 10476, de 1º a 3 de abril de 2020.